da minha rede

12 . 07 . 2017

eu sigo, faz tempo, tentando achar um pouquinho de disposição pra escrever. aliás, melhor explicar: eu “vivo” de escrever. eu trabalho mais de 8 horas por dia – precisamos considerar os freelas nessa conta, além do trabalho regular dentro da falecida CLT – escrevendo. mas é um lance agridoce. escrever para os outros, pelos outros, por coisas, é muito complicado. mais complicado ainda é chegar em casa e ter tesão no escrever sobre o que você quer escrever. sem pretensão, sem aprovação, sem revisão. ou sobre a vida, ou sobre as coisas da vida, ou simplesmente sobre coisas.

aí que hoje, deitada na minha rede, na minha varanda, olhando pra uma lua cheia, esse trio tão significativo pra mim, eu resolvi voltar pra cá. ou, ao menos, tentar. assunto é o que não falta e, sinceramente? de quê adianta viver de alguma coisa sem sequer fazer disso parte de verdade da sua vida?

esse blog, que já me curou de tantas mazelas tantas vezes, pode me ajudar a voltar a gostar de escrever por existir. vamos ver se o showrunner bota fé nessa temporada. S08E03.

uma foto bem fuleira pra registrar o momento

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Sobre querer mandar em tudo. E em todos

10 . 03 . 2017

Eu odeio não estar no controle.

Já percebi isso tem tempo. Gosto de mandar, gosto de resolver, porque assim eu acabo tendo tudo nas mãos. E, mesmo que eu prefira muitas vezes que as responsabilidades e as “tomadas de rédeas” não partam da minha pessoa, gosto de ter a ilusão de que, direta ou indiretamente, eu sou sim responsável pelo que tá acontecendo ou vai acontecer. Que sou agente, que não sou inerte. Eu gosto de me sentir a parte ativa até mesmo quando sou passiva. E isso se estende pra muita coisa. E tudo bem até aqui.

Quando uma pessoa altamente controladora não tem domínio sobre as coisas, o mundo cai. É como se você ficasse perdido num labirinto, uma barata tonta no jogo da vida. E esse caos de não saber o que fazer, não poder fazer do jeito que ~é para ser~, me deixa louca.

Existem coisas, pessoas, situações que só acontecem para confundir a cabeça. Para você ver que é só um pedacinho de nada na sua história, que o meio externo e seus personagens tem muito mais poder de influência na sua vida do que você imagina. Não dá pra decidir tudo, não dá pra escolher como os outros vão ser ou reagir, não dá pra jogar como se tudo fosse peça de um quebra-cabeça. Você nunca consegue encaixar tudo como você quer. As pessoas não vão seguir o seu planejamento, elas vão mudar de ideia, mudar tudo de novo. E nunca é fácil. Eu tenho a leve impressão de que as coisas que vem de dentro, dos outros, são as mais difíceis e que pra todo o resto na vida há jeito. Aí, meus amigos, não tem muito o que fazer.

Senta, chora e espera passar.

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Dale, 2017

01 . 01 . 2017

Sem querer, porque eu nem planejei escrever esse texto, tô aqui na vibe de fazer algo parecido com uma retrospectiva. Tava catando aqui os meus posts de fim de ano-ano novo e é uma onda ver como as coisas vão mudando, inclusive o fato de que não consegui “elencar” as melhores coisas do ano passado. Ops, de 2015. Ano passado foi 2016.

Apesar da crise e de Temer, no ano passado eu fui feliz. Cumpri algumas promessas que sempre faço pra mim cada final de ano – não tem jeito, vou viver com resoluções pois amo listas. Fui mais vezes na praia. Eu sempre tive uma conexão forte com a água do mar, e acho que muito do equilíbrio mantido no meio de tanto caos deve ter vindo graças a esse retorno. E acho que voltei a me conectar comigo de várias formas, e me encontrar internamente acabou trazendo também uns desequilíbrios com o exterior. É uma adaptação, né? Bom, eu aprendi a valorizar mais meu corpo, a entender e ouvir o que ele diz, o que é um constante aprendizado. Voltei pros cachos, o que pode parecer algo simples, mas ~aceitar meus cabelos naturais me transformou numa mulher muito mais madura. Também aprendi a me virar sozinha, a ser mais independente. Descobri que sou mais forte, mais segura. Dona da porra toda.

Deixei de me sentir culpada pelas minhas decisões, de me preocupar tanto com o julgamento dos outros. Aceito e agradeço o fato de ser inquieta e teimosa, porque provavelmente são as características que mais me fazem seguir em frente.

2016 também me trouxe um noivado. Falando em crise, vivi  uma série delas, mas sinto que de bom, veio o amadurecimento. Coragem, liberdade, aceitação. Acho que essas são as palavras mais significativas pra definir os dias que passaram.

Em 2017, sei que mais mudanças vão acontecer, e que venham. Ainda não abri meu pote com resoluções pra ver o que ficou pendente e pra encher de novidade. Acho que pra mim significa que nunca em 27 primaveras, um ano foi tão continuidade do anterior. Só que, pra agora, eu espero que todas as mazelas que rolaram tenham sido levadas junto com a espuma do primeiro mar desse ano.

Que seja leve.

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Sofá

22 . 12 . 2016

eu não gosto de montanha-russa. não gosto de aventura.

antes, eu achava que eu gostava. já fiz rapel e gosto de esportes sim, de alguns. coletivos, de contato, dentro d’água. eu só não gosto de me machucar. nem do medo de cair, de ser derrubada. de sentir dor. veja bem, eu suporto a dor, mas tem dor que bate errado. e essas de adrenalina demais, essas são das doídas. e obviamente por isso eu corro de montanha-russa, porque tem um grande risco do negócio ser grave depois de uma queda.

eu gosto da tranquilidade de deitar no sofá, de assistir netflix. de balançar na rede. [ou não, acho que prefiro ela parada, só o vento na cara]. de ir até o chão e subir, mas só se for ralando calcinha em festa. de mesa de bar, de tropeçar na minha embriaguez. de fronha, da luz amarela do abajur. do mar, da areia quente, da sombra do guarda-sol. de sair do avião, de turbina parando de girar. voar só é bom em sonho, em pensamento.

eu gosto de calma. de paz. da monotonia de uma vida simples.

uns dizem que isso é viver sem emoção.

eu só quero deitar no sofá.

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