o dia dezoito

18 . 03 . 2018

é acordar e não saber exatamente o que fazer. é, depois de uma hora inteira pensando, querer fazer tudo: ir à praia, ir ao parque, ir numa exposição. é passar mais uma hora decidindo e não fazer absolutamente nada.

só eu, só minhas séries, meu gato, meu livro, minha cama e a contemplação da minha indecisão, da minha inquietude, do que está incompleto e do que é completo. as paredes vazias, a decoração quebrada, o que não se terminou. é perceber que temos tempo, temos que respeitar o tempo. tenho que respeitar o meu tempo. as coisas vão sair do lugar, não é desânimo, é respirar devagar. tempo para entender. para mudar de ideia. para não terminar. para terminar. para começar de novo. para botar tudo no papel.

é aquela vontade imensa de falar. é aquela tristeza sem choro. é não olhar as fotos mas lembrar detalhe. é perceber que o arrependimento existe, que ele não vai sair daqui. e, aqui estando, lidar com o gosto agridoce do dia que passou.

é sair, tomar um café, encontrar amigas, ir ao cinema. é mandar uma mensagem, é existir de alguma forma.

é perceber que, apesar de tudo, o amor está em todos os lugares.

 

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junho / 2017

14 . 03 . 2018

o teu flickr
o meu corpo
tua voz
tua lente
nossa casa
outro lar
desse lado
toda falta
do teu lado
falta um lado
esse jeito
essa forma
essa planta
essas fotos
esse junho
esse vai
esse foi

tudo passa, tudo fica, tudo muda.

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a caixa

28 . 02 . 2018

pra onde vai a saudade
quando ainda há presente?

pra onde vai o silêncio
quando ainda há tanto pra dizer?

pra onde vai a vontade
quando ainda há muito pra fazer?

pra onde vai o adeus
quando ainda há tempo?

será que há tempo?

de onde vem a paz
se ainda existe tanta coisa pra gritar?

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