o dia dezoito

18 . 03 . 2018

é acordar e não saber exatamente o que fazer. é, depois de uma hora inteira pensando, querer fazer tudo: ir à praia, ir ao parque, ir numa exposição. é passar mais uma hora decidindo e não fazer absolutamente nada.

só eu, só minhas séries, meu gato, meu livro, minha cama e a contemplação da minha indecisão, da minha inquietude, do que está incompleto e do que é completo. as paredes vazias, a decoração quebrada, o que não se terminou. é perceber que temos tempo, temos que respeitar o tempo. tenho que respeitar o meu tempo. as coisas vão sair do lugar, não é desânimo, é respirar devagar. tempo para entender. para mudar de ideia. para não terminar. para terminar. para começar de novo. para botar tudo no papel.

é aquela vontade imensa de falar. é aquela tristeza sem choro. é não olhar as fotos mas lembrar detalhe. é perceber que o arrependimento existe, que ele não vai sair daqui. e, aqui estando, lidar com o gosto agridoce do dia que passou.

é sair, tomar um café, encontrar amigas, ir ao cinema. é mandar uma mensagem, é existir de alguma forma.

é perceber que, apesar de tudo, o amor está em todos os lugares.

 

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