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Sobre a sua real importância

30 . 07 . 2016

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Uma das coisas mais dolorosas de aprender quando você cresce, vira adulto, amadurece ou algum caralho desse, é descobrir a sua real importância para as outras pessoas.

Muito provavelmente todas aquelas decepções amorosas eram um pouco do que estava por vir. Aqueles caras que ficavam com você hoje, não te ligavam amanhã, que te descartavam depois de meses de relacionamento (seja lá qual tipo de relacionamento eles achavam que tinham com você), aqueles caras já tavam te mostrando essa realidade. Você que não entendeu direito e achou que o problema é com você.

Assim, é com você, mas você não é uma pessoa por causa disso. A verdade é que a gente não tem a mesma importância sempre na mesma medida que a gente dá. Isso dói um pouco mais quando acontece com amigos. E, de um jeito ou de outro, todo mundo tá fazendo isso com todo mundo.

Vai chegar aquele momento de preferir sair com essas pessoas aqui do que com aquelas. De conversar com aquelas e não sair com essas pessoas aqui. Sabe? A importância tem várias medidas, pra determinados momentos.

Tem seus amigos que você quer ver a qualquer custo, a qualquer hora, assim que der tempo nesse trabalho que te consome a semana toda. Mas, será que eles sentem o mesmo? Talvez para eles existam outras pessoas mais importantes, outras festas, livros ou Netflix.

Hoje, eu “meço” amizade de um jeito diferente. Não é uma troca de medidas iguais. Você pode dar 10 toneladas de alguma coisa e receber de volta só 1 quilo. No fim, a conta nunca vai fechar. Mas você vai aprendendo que amor não tem medidas, sabe? Dói, mas passa. E a gente carrega esse forninho sem reclamar.

Parece desabafo com mágoa e talvez seja. Mas, como dizem: vida que segue.

Foto: the ordinary young man

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A importância do Não

18 . 04 . 2015

Atenção: Não é mais um texto ensinando como educar seus filhos (pois zero conhecimento de causa).

Eu entendo perfeitamente a dificuldade em dizer não. Aquele “não” que vai magoar, que vai fazer mal pro outro, aquele pra um convite irrecusável…enfim, pode ser difícil, todo mundo sabe. Só não entendo uma coisa: não-dizer-não quando isso vai ajudar a pessoa a seguir em frente, quando ele tá te dando, no caso, fechamento.

Tô falando do “não” pra quem tá se candidatando a um emprego.

Eu, atualmente sem um trabalho “normal” e vivendo de freela, posso falar com propriedade aqui. E talvez esteja me queimando, caso algum possível entrevistador ache esse post, mas a verdade é que não me importo. Eu precisava falar.

A realidade >> tô procurando um trabalho novo, um lugar massa pra entrar, porque percebi que essa “vida de agora” não é pra mim. Tentei, não deu. Aí a gente faz outra coisa, tem outros troféu (sic), como dizem por aí. Me candidatei a algumas vagas, recebi alguns feedbacks, fui em algumas entrevistas. Se eu contar o tanto de e-mail não respondido, entrevista sem retorno…tu chora. Aliás, talvez você não chore, porque já passou por uma situação pior ou igual.
O fato >> o que custa, pra alguém do outro lado, na sua cadeira confortável ou até mesmo resolvendo broncas, que seja, o que custa pensar dois segundinhos fora da caixa? Pensar no outro? O outro que, talvez, ele já tenha sido um dia? A pessoa que sequer cria expectativas mais, afinal de contas, está tudo muito complicado. Que já entende o silêncio como não, mas que sempre tem uma pontinha de esperança, essa danada. Muita chateação e decepção (sabe quando você sai de uma entrevista achando que tá tudo certo e depois cagam pra você? tamo junto.) poderia ser evitada com algumas pequenas respostas, tipo:

  • Não
  • Você não faz o perfil da empresa
  • Não estamos procurando ninguém no momento
  • Não há vagas
  • A vaga já foi preenchida
  • Obrigada pelo interesse
  • Risos
  • Amiga, melhore

Pode ser que magoe, até porque, seguindo meus conselhos, a pessoa muitas vezes estará sendo grosseira rs. Mas causa fechamento, encerra uma possibilidade. Outro dia, quem sabe, talvez, mas agora você pode tirar isso da sua cabeça. Seguir em frente sem pensar que poderia ter sido diferente. Não leva mais que dez segundos pra enviar uma frase dessas aí.

Aí você me diz: ai, mas eu tenho muitas tarefas, recebi mil e-mails, como vou responder todos?

Cara, não sei, mas sei que dá. Me lembrei agora de uma coisa que aconteceu com meu irmão. Ele ficou encarregado de anunciar e selecionar alguém pra uma vaga de estágio. Ele fez um anúncio, colou no mural da faculdade, recebeu vários e-mails, respondeu todos, marcou as entrevistas. Escolheu uma pessoa. No final do processo, ele veio conversar comigo, perguntou algo como “Jacque, como eu faço um e-mail pra mandar pra quem não passou na seleção?”. A gente sentou, escreveu um texto rápido, desejamos boa sorte. Copiamos todos ocultamente e foi. Fechamento. Principalmente pra quem tá começando, procurando estágio, às vezes o seu primeiro trampo, isso é importante, pô. Talvez seu currículo esteja com erros de português, talvez seja uma piada, talvez simplesmente não foi dessa vez. De alguma forma, você vai procurar erros, achar ou não e vai continuar tentando. Vida. que. segue.

E ninguém precisa fazer como eu tô dizendo, mas sempre existe um jeito. Sempre dá pra ser legal com alguém, melhorar o dia de outra pessoa que precisa que seu dia seja melhorado. E se dessa vez não deu, certamente o vácuo não é a alternativa mais legal.

É só dizer não.

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Sobre casais fofos

09 . 04 . 2015

Sinceramente, não acho fofo esse negócio de casal fofo.

Na maioria das vezes, um casal fofo é aquele inseparável, que faz tudo junto. Talvez eles até caguem ao mesmo tempo. Esse “modelo” de casal costuma ser bem meloso, faz declarações públicas de amor, de devoção, de perfeição mútua, almas gêmeas, coisa e tal.

O tanto que acho isso insuportável.

Dia desses, li num blog (de casal), uma coisa que me deixou absurdada: as agendas deles mudaram por uns dias, eles estavam vivendo rotinas diferentes e se encontrando pouco. Daí o rapaz fala algo como “minha felicidade depende 99% dela”, porque percebeu que não conseguia passar tanto tempo longe.  Detalhe: eles moram na mesma casa. Detalhe 2: tanto tempo era coisa de uma semana.

Bom, não vou entrar no mérito de um relacionamento apenas e exclusivamente, porque cada um faz o que quer da sua vida. Eu, que namoro há três anos com um cara que mora um tanto quanto longe de mim e que tem uma rotina no mínimo diferente, não consigo entender. E não consigo achar saudável. Essa coisa do outro ser seu mundo, sua fonte única de alegria, de energia, seu tudo-que-existe-de-melhor. Talvez, em outro tempo, quando eu me sentia uma pata desengonçada e achava que era impossível ser interessante pra alguém, talvez ali, eu me identificasse. Hoje, não entra na minha cabeça um estado de dependência em um relacionamento. E tanto faz se é algo unilateral ou não.

Assim como não cabe essa coisa de pedir permissão pra isso e aquilo, de precisar de vale-night, de não viver sua vida de boa. Pode ser que eu viva em outro planeta, e que bom que eu vivo, mas por aqui a gente resolve de outra forma. Por aqui, aprendi que é preciso rolar respeito, confiança, espaço. De vez em quando, o espaço é grande e vira saudade, mas saudade não é agonia, não é angústia, não devia ser motivo de tristeza. E o tal do casal fofo tem mania de ser melancólico, romântico, dramático. A vida já é um drama por si só, gente. No amor, a gente precisa ser leve. Ok, não dá pra ser sempre, mas a gente precisa sempre tentar. Quando é leve, sem neura e sem frescura, certamente é mais doce.

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Eu, eu mesma & Renée

08 . 11 . 2014

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Dias atrás, fotos da Renée Zellweger transformada e praticamente irreconhecível rodaram esse mundão da internet. Primeiro, levei um susto. Sempre achei a eterna Bridget Jones tão bonita com aquelas bochechas (eu que não tenho bochechas ahaha). Depois, julguei. Julguei que ela deve ter sofrido muita pressão, que Hollywood é implacável, que as pessoas do show business devem ser cobradas o tempo todo, etc etc etc. Li gente dizendo que ela não ~envelheceu com dignidade; e a gente fala isso como se a cara de alguém carregasse tudo que se fez na vida. Enfim, foi tanto comentário que a própria Renée teve que se pronunciar. E ela disse:

“Estou vivendo diferente, feliz, tendo uma vida mais gratificante…E estou tão feliz que, talvez, esteja aparentando isso (…) As pessoas não me conhecem em meus 40 anos (…) não me conhecem como uma pessoa saudável. Talvez eu aparente estar diferente. Quem não envelhece? Eu estou diferente. Estou feliz.”

Bicho, ela não precisava fazer isso. Não precisava dar uma entrevista à People pra justificar seu rosto, suas escolhas. Não precisava dizer que “está feliz” umas trezentas vezes. Não precisava de cirurgiões apontando o que ela deve ter feito durante o tempo. Pra mim e pra muitos, é “certeza” que ela fez plásticas, mas isso não interessa a ninguém. Quem escolhe é ela, quem deve se sentir bem é ela, e eu espero que esteja.

Como-envelhecer só interessa ao dono.

Clint Eastwood, por exemplo, taí carregando toda a sua idade em rugas no rosto. Ele envelheceu com dignidade? Para muitos, sim. O que eu sei é que se a Renée tivesse deixado o Natura Chronos e o botox de lado, ela também não teria envelhecido dignamente. Sabe por quê? Porque ser mulher é ter pessoas o tempo inteiro dizendo como você deve ser. O que deve fazer. O que deve pensar. E nunca está bom o suficiente.

Quando a notícia bombou, parei o que eu tava fazendo, olhei no espelho e pensei: será se eu devo comprar anti-rugas pois a idade chega para todas? Sinceramente, não é o tipo de coisa que quero cogitar, porque morro de medo de ficar velha. Não pelos cabelos brancos e pelancas, mas por achar que talvez não consiga fazer tudo o que eu quero, ou porque simplesmente não consigo imaginar esse futuro. Enfim. Só sei que se não tá fácil. Nem pra Grazi, nem pra mim, nem pra nenhuma de nós. Todo dia o mundo passa na nossa cara que ser mulher é jogar o jogo da vida no modo hard. Sempre.

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