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o dia dezoito

18 . 03 . 2018

é acordar e não saber exatamente o que fazer. é, depois de uma hora inteira pensando, querer fazer tudo: ir à praia, ir ao parque, ir numa exposição. é passar mais uma hora decidindo e não fazer absolutamente nada.

só eu, só minhas séries, meu gato, meu livro, minha cama e a contemplação da minha indecisão, da minha inquietude, do que está incompleto e do que é completo. as paredes vazias, a decoração quebrada, o que não se terminou. é perceber que temos tempo, temos que respeitar o tempo. tenho que respeitar o meu tempo. as coisas vão sair do lugar, não é desânimo, é respirar devagar. tempo para entender. para mudar de ideia. para não terminar. para terminar. para começar de novo. para botar tudo no papel.

é aquela vontade imensa de falar. é aquela tristeza sem choro. é não olhar as fotos mas lembrar detalhe. é perceber que o arrependimento existe, que ele não vai sair daqui. e, aqui estando, lidar com o gosto agridoce do dia que passou.

é sair, tomar um café, encontrar amigas, ir ao cinema. é mandar uma mensagem, é existir de alguma forma.

é perceber que, apesar de tudo, o amor está em todos os lugares.

 

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sessão de terapia

22 . 02 . 2018

– você demonstra um incômodo, uma angústia quando fala sobre isso. você consegue identificar quem você acha que tem uma relação totalmente honesta com você?

– hoje, só o meu gato.

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do que era uma carta

16 . 02 . 2018

eu passei um tempo me perguntando: por que ser tratada assim?

quando você sabe que merece mais. quando tudo está na sua cara, te dizendo que, por mais que você tente, não dá pra acreditar. quando parece um jogo perigoso. quando te fazem de fantoche. quando, aparentemente, você é só mais uma peça no quebra-cabeça. peça repetida. tanto faz como tanto fez te usar.

tentamos não fazer paralelos na vida, mas muitas vezes parece que seguimos um padrão. isso vale pro que é bom e pro que é ruim. e aí você entra numa paranoia: por que sempre comigo? por que não pode, ao menos uma vez, fugir do lugar comum?

e a gente tenta não entrar em situações de risco pra não se machucar, mas a vida empurra pras coisas. sei lá porque eu me coloquei em uma posição tão complicada e tão cedo depois de me ferrar. sei lá porque fiz isso comigo, imaginando que ia dar merda. imaginando que ia ser enganada, magoada, jogada fora de novo.

aparentemente o coração busca um refúgio em alguma coisa depois que ele leva uma porrada. eu busquei o meu. me vi exposta, descoberta, inteira. me vi em paz refugiada. me vi seguindo um coração ferido, sangrando, mas que vive.

só que parece que coração doente demora a curar. e frágil, coitado, vai se machucar de novo. porque nunca é fácil. você vai encontrar pedras no caminho, você vai encontrar gente que simplesmente não se importa. você vai se ver só, cuidando de todas as suas mazelas e cuidando para que elas não te endureçam mais, porque coração precisa curar aberto. fechado, dá metástase, mistura tudo, é difícil voltar ao normal.

parei de me perguntar: por que ser tratada assim?

é como diz a canção: é preciso estar atento e forte. observar aos sinais, sentir as dores, estar consciente de que, por você e pelos seus sentimentos, pelo seu coração em frangalhos, só você.

vai seguir, vai sobreviver.

só é uma pena mesmo.

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valentin

04 . 02 . 2018

eu nunca pensei que o amor chegaria tão cedo de novo pra mim. em cima de quatro patas, focinho rosa, olhos de mel e orelhas peludas.

sou uma pessoa que sempre teve bichos em casa, mas nunca fui “dona” de nenhum. nunca tive sob responsabilidade minha outro ser. era um sonho grande, em outra vida, ser mãe de gente um dia. agora, eu olho pra valentin, o gato, e me vejo mãe solo de um animal que apareceu pra me fazer enxergar as coisas com outros olhos.

valentin me ensina todo dia. valentin me acompanha todo dia. valentin é a relação mais honesta e sincera na minha vida hoje.

aos poucos, a gente vai estabelecendo um entendimento que cria um laço forte que eu nem achava que poderia existir. ele fica perto quando tô triste, ele deve saber, né possível, quando eu não quero estar sozinha. ele me olha de várias maneiras diferentes, eu posso ver lá dentro que tem alguma coisa que poderia ser dita, se eu conseguisse decifrar. e eu agora já reconheço alguns sinais de abuso, fome, felicidade, paz, que ele me dá. estamos juntos desde 19 de novembro, e ele ter aparecido num dia dezenove – dia que me matou mais de uma vez nessa vida – é muito simbólico pra mim.

ele veio pra me dar uma nova certeza. e certeza é uma coisa que eu achei que nunca mais existiria na minha vida.

a certeza de que comigo existe ele, existe um eu mais forte, que se descobre e se renova a cada dia, e existe um mundo inteiro ainda pra viver. por tudo isso, eu só posso agradecer. :)

dia 1

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