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Resenha: Extraordinário

20 . 04 . 2015

Toda pessoa deveria ser aplaudida de pé pelo menos uma vez na vida, porque todos nós vencemos o mundo.

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Extraordinário, de R.J. Palacio, é mais um livro comprado naquela remessa de fevereiro. Comecei abril sem nenhum livro até o dia 10, já estava desanimada. Aí peguei um ebook pra ler mas achei a história muito “densa”, digamos assim, e desisti. Queria algo leve, com uma mensagem. E esse livro foi a coisa mais maravilhosa que poderia acontecer :)

No livro, a gente conhece August “Auggie” Pullman, um garoto normal e fã de Star Wars, com seus 10 anos. Só que Auggie nasceu com uma síndrome genética (na verdade duas que se tornaram uma “supercoisa”, como ele mesmo diz) e a sequela é uma deformidade facial. Ele já passou por diversas cirurgias para melhorar sua qualidade de vida e seu rosto mas, ainda assim, é bem diferente. Tão novo, tem plena consciência de que causa estranheza nos outros, sem contar outros sentimentos bem piores, e se acostumou e aprendeu a lidar com isso. Ao seu lado, uma família amorosa o suficiente pra encarar com ele todos os desafios. Bom, quase todos, porque August vai começar o quinto ano e, finalmente, entrar em uma escola regular sozinho.

A gente sabe que a escola, com um monte de crianças aprendendo — ou não — a ser gente, pode ser um ambiente hostil pra quem está fora do padrão. Pros nerds, pras não-gatinhas, pros gordinhos. pra um menino com diostose bucomaxilofacial. O bullying é um terror na vida de quem tá começando a descobrir o mundo, a primeira crueldade que uma criança pode experimentar e isso é uma das coisas que Extraordinário nos mostra.

Se eu encontrasse uma lâmpada mágica e pudesse fazer um desejo, pediria para ter um rosto comum, em que ninguém nunca prestasse atenção. Sabe o que eu acho? A única razão de eu não ser comum é que ninguém além de mim me enxerga dessa forma.

Mas tem o outro lado da história, que é tão mais bonito que me fez ler tudo em três dias. Auggie é uma criança inteligente, bem-humorada e forte. Tem a sorte e o prazer de encontrar pelo caminho bons amigos e pessoas que se importam com ele, dessas que fazem a gente acreditar na humanidade e que os bons superam e fazem a diferença, apesar de tudo. É uma aula de amizade e amor.

Vamos tentar criar uma nova regra de vida…sempre tentar ser um pouco mais gentil que o necessário.

Outra característica massa: o livro é dividido em oito capítulos, narrados não só por August, mas pela irmã e alguns amigos. É bem legal ter a visão além do protagonista, explica melhor algumas atitudes, faz a gente ter “a outra versão da história”. Gostaria de ter lido Isabel e Nate, os pais, e talvez de um dos bullies, acho que seria interessante tentar entender uma cabeça assim. Ou não…talvez melhor não.

Leia, vai pro mim. Extraordinário é um livro que enriquece a gente. É, como diz na capa, um manifesto em favor da gentileza :)

Livro lido para o Desafio Literário do Tigre no mês de março. O tema que eu escolhi foi “para fazer chorar”. Para saber mais sobre o #DLdoTigre, clique aqui.

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Resenha: Como Ter Uma Vida Normal Sendo Louca

01 . 04 . 2015

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Lembro que, logo quando foi lançado, esse livro da Jana Rosa e da Camila Fremder foi super comentado, acho que até chegou a esgotar em alguns lugares. As meninas da blogosfera ficaram bem loucas #redundância pela obra e, como eu tenho mania de chegar atrasada na fila do pão e do hype, só peguei pra ler agora. O livro é de 2013. Comprei em 2015 por 12 dilminhas. Bom, acho que saí na vantagem, no fim das contas :P

Não lembro da última vez que eu ri tanto com uma leitura, sério. O livro é sem noção demais, uma maravilha. Maravilha porque, no meio de um monte de situações absurdas e ensinamentos dignos de gente surtada, você certamente vai se identificar com algumas coisas, apesar dos exageros. E de vez em quando você vai se sentir patética mas, na boa? É a vida. E só nos resta rir da própria desgraça.

O livro é dividido em cinco partes: 1- Respeito, sucesso e superação; 2- Amor e relacionamentos; 3- Saúde e bem-estar; 4-Vida profissional e finanças; 5- Influenciando pessoas. Cada parte tem um conjunto de ensinamentos que são verdadeiras pérolas. Tudo é massa, mas dou destaque para “como viver no cheque especial”, “quinze maneiras de irritar alguém que você finge que gosta” e o sensacional “como fazer com que ele termine com você”.  Além disso, fiquei passada com o tanto que elas implicam com calça saruel, ONG e muitas outras coisas (tantas que há uma lista de desculpas). As ilustrações são muito feras também, todas feitas pela Jana.

Vou levar esse livro no meu coração, e lerei sempre que precisar de uma dose cavalar de bom humor e loucura. Imperdível pra quem procura uma leitura leve, pra esquecer dos problemas e pra não se levar tão a sério.

 Livro lido para o Desafio Literário do Tigre no mês de março. O tema que eu escolhi foi “divertido”. Para saber mais sobre o #DLdoTigre, clique aqui.

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Resenha: O Chamado do Cuco

09 . 03 . 2015

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Falei na minha última resenha que tinha desistido de ler um livro do Robert Galbraith, pseudônimo da J.K. Rowling, né? Então, choveu muito aqui no Recifinho nos últimos dias, ficamos inclusive sem energia e internet em casa. O que eu fiz? Isso mesmo, fui dar uma segunda chance ao danado d’O Chamado do Cuco. E, olha, foi um lance de fase. Eu não estava ~no momento certo~ pra ler o mistério do detetive Cormoran Strike, e acho que ele chegou nesses últimos dias, pois não é possível: li quase 300 páginas em uma madrugada.

Eu sou suspeita pra falar, porque adoro a escritora. Amo Harry Potter, vou amar pra sempre e se me der pra ler agora, depois de “velha”, certamente continuarei amando (vou até fazer esse teste qualquer dia). Tive meu momento de achar que não ia gostar de uma narrativa de Rowling pela primeira vez, mas não chegou a hora. O livro dá uma alavancada da metade pra frente e é meio impossível parar de ler.

Strike é um detetive particular decadente, vivendo seus dramas pessoais e sem casos novos, na cidade de Londres. Eis que tudo muda quando John Bristow o procura para investigar o possível assassinato da sua irmã, Lula Landry, supermodelo morta meses antes numa tragédia considerada suicídio pela polícia. Apesar de desconfiar que a possibilidade de crime é uma viagem do cara, Strike aceita o desafio e, junto com sua assistente Robin, começa a investigação da história, que é recheada de intrigas, conflitos familiares, gente esquisita e mundo da moda.

Como eu disse, depois da metade, Robert/Rowling resolve parar de enrolação e coloca Cormoran pra trabalhar de verdade. Gosto de como as informações são jogadas pra gente enquanto o detetive toma nota. É como se, o tempo todo, ele estivesse um passo a frente de você, que tem que quebrar um pouco a cabeça pra racionalizar porque ele acha que está perto de resolver o caso e você ainda não entendeu da missa um terço. Gosto dessa linha. Temos as mesmas informações que o personagem, mas talvez a gente não consiga acompanhá-lo, de modo que tudo vai ficando muito interessante quando alinhamos as peças do jogo.

Em determinado momento, a lista de suspeitos aumenta tanto que você se perde um pouco. Confesso que passou pela minha cabeça várias vezes que o final poderia realmente ser o que foi, mas eu não conseguia “encaixar” na trama. Até que, lá pela última parte, tudo fica bem mais claro. Gostei da “engenhosidade” da autora pra fazer tudo ser plausível, sem saídas simples ou surpresas de última hora.

Por fim, depois de ter reclamado um pouco da lentidão pra trama deslanchar, já posso dizer: se curte um detetive e um mistério, leia!

Imagem: Revista Inspired

 Livro lido para o Desafio Literário do Tigre no mês de março. O tema que eu escolhi foi “de sua fila de leitura”. Para saber mais sobre o #DLdoTigre, clique aqui.

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Resenha: O Signo dos Quatro

28 . 02 . 2015

Existe um top 5 de autores na minha vida, e essa lista não mudou até hoje. São autores que “cobrem” meus gêneros literários preferidos e que eu sempre volto a ler. São eles, fora de ordem: Agatha Christie, Sir Arthur Conan Doyle, Jane Austen, Khaled Hosseini e J.K. Rowling. Supresa foi ter pego um livro desta última e ter abandonado, porque achei a história arrastada demais. Corri pra Sherlock Holmes, porque mesmo com o mês curto e cheio de carnaval, eu queria muito ler dois livros em fevereiro, pra não fulerar no desafio.

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Já nem sei mais quantas vezes li O Signo dos Quatro. Tenho essa edição feinha de bolso aí da foto e acho que é uma das leituras mais rápidas da estante. Comparando com a escrita de J.K., seu Arthur é muito mais direto ao ponto: sempre é um choque pra mim encarar o #SherlockDrogrado logo na primeira página. A ação não demora a começar e vamos junto com Holmes, Dr. Watson e Mary Morstan atrás de um mistério e um tesouro perdido. A história é bem cativante, mas eu acho essa uma das aventuras mas fracas do detetive. Sherlock quase não tem trabalho aqui, não há muito suspense. Viemos mesmo pela ação, do início até quase o final do livro.

Bom, meu narrador-testemunha favorito, Watson, está apaixonado e impagável. Como ele já conhece Holmes melhor que no livro “Um Estudo em Vermelho” é legal perceber a diferença. Se você não leu o anterior, não prejudica o entendimento neste, mas certamente é mais divertido.

Lendo novamente, percebi uma coisa bastante incômoda no texto de Conan Doyle: o tanto de distinção que ele faz entre o inglês culto e sofisticado e o homem negro, sempre rebelde e selvagem. Em algumas passagens, as descrições dos personagens “nativos” irrita…enfim, coisas que a gente descobre com o tempo. E não vou falar muito sobre o final aqui, mas acho que é o grande tropeço do autor. Odeio encheção de linguiça e informações que não agregam muito ao resto da trama, e o último capítulo é bem cheio disso. De qualquer forma, recomendo o livro pra quem ainda não conhece muito bem o personagem, pra quem curte ação e quer uma leitura rápida.

 Livro lido para o Desafio Literário do Tigre no mês de fevereiro. O tema que eu escolhi foi “que cabe no bolso”. Para saber mais sobre o #DLdoTigre, clique aqui.

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