Reflexão aleatória sobre casamento: o caos

19 . 12 . 2016

Existiu um tempo onde, além de escrever no blog, eu ainda escrevia sobre as mazelas da vida. Isso era bem comum há uns dez anos, mas hoje, com a gente querendo sempre ser feliz na internet, cada vez mais isso se perde. No meu caso, é muito pra me preservar também. E é muito preguiça. Eu poderia falar muito das viagens que fiz, do mochilão de 2014, do meu namoro de quase cinco anos, mas muitas vezes me falta vontade de expor. De uns anos pra cá, acho que me tornei uma pessoa um pouquinho mais reclusa (muito por conta de umas perseguições que agora não me amedrontam mais e nem vem ao caso) e mais consciente de que, muitas vezes, a vida taí apenas pra ser vivida.

Mas hoje me deu vontade de escrever.

Ano que vem eu me caso com menino Pimentel. Pouca gente fala dos problemas que isso traz. Dos questionamentos, dos medos, das responsabilidades. Mas muito se fala do aprisionamento – principalmente do homem – e muita merda nesse sentido chega, literalmente, no altar. Canso de ver nos grupos de noivas plaquinhas com “Fulano, ainda dá tempo de fugir” ou “Game Over”. Eu fico um pouco chocada ainda como esses podem ser os problemas que as pessoas veem no casamento, como se encarassem uma prisão, uma clausura. E eu acho que relacionamento é outra coisa, mas sobre isso eu falo em outro texto.

(e aqui, um grande parêntese. casamento pra mim não é a festa que teremos ou o papel que a gente vai assinar. casamento é compartilhar uma casa, uma vida. é juntar os trapos mesmo. nunca entendi quem diz que vai morar junto antes de casar. eu não vejo muita diferença e é disso que tô falando: de viver junto, todo dia, no mesmo teto. tem gente que prefere não rotular isso como casamento, e tudo bem. eu prefiro dar nome ao que eu acho que já tem nome, ao que acho cabe.)

Vou casar chega passando na cara várias coisas que eu não notava. Deixou claro o meu monte de defeitos e irresponsabilidades. Me mostrou coisas que me incomodam em Igor. Me fez várias vezes questionar se temos maturidade e estabilidade, principalmente financeira, para mantar um lar saudável, sem estresses e apertos. Não nos falta amor, mas dividir uma vida, contas e broncas não é brincadeira. E eu sou a pessoa mais cagona do universo, mais organizada, perfeccionista até demais. Nunca moramos por nossa própria conta, nunca precisamos fazer uma feira. Ao longo desse ano, a vida trouxe – principalmente para mim – uma porrada de perguntas sem resposta, de dúvidas que se enfiaram no meio de uma relação aparentemente sem nóias. E não é bem assim.

Hoje, eu encaro o casamento como uma etapa de amadurecimento não do casal que somos, mas dos indivíduos que somos, sozinhos. Do que queremos, de como vamos viver os próximos anos. Do que falta pra estarmos satisfeitos com o nosso trabalho, com o nosso jeito de ganhar o dinheiro porque, afinal, no mundo em que vivemos, viver de amor e miçangas até deve ser possível, mas é difícil. E os nossos sonhos, que são muitos, não se realizarão sozinhos.

Depois de tanta conversa, choro, briga, não sei o rumo que tomamos. O que sei é que vamos. E que essa coisa de casar escancarou que, mais do que amor, carinho, afeto, é preciso ter coragem.

Seguimos.

 

Imagem: the ordinary young man

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Uma lista massa de links

28 . 11 . 2016

Depois de um final de semana mais ou menos frustado porque terminou com uma “maravilhosa” infecção intestinal, passei quase 24 horas bastante reflexiva e procrastinadora – dessa vez por motivos de enfermidade. Pensei em como tudo pode mudar de uma hora para a outra, como o nosso corpo é frágil e precisa de cuidado, afinal, é de fato o nosso templo. Parei um bocado de tempo deitada, lendo e analisando 2016, ano que eu considero difícil mas um ano de busca, aprendizado, autoconhecimento e descoberta. Tem sido uma jornada bonita. E digo “tem sido” porque quando dezembro se aproxima existe a mania de dizer que ~o ano já acabou mas, para mim, só acaba quando termina.

Deixa eu passar uns links legais desse dia de cama:

1- essa poesia, da Jarid Arraes (inclusive leiam mais essa molier)

2- esse texto sobre sentimentos e entrega, do João Uchôa

3- essa série de posts sobre o corpo da mulher, sexualidade, ciclo menstrual e mais. porque a gente não aprendeu tudo na aula de biologia e é sempre bom se conhecer melhor :)

4- esse guia para conhecer o Recifinho gastando pouco ou quase nada

5- esse livro lindo Zen em Quadrinhos, do Tsai Chih Chung

6- esse álbum Starboy do The Weeknd pra vocês amarem (a obra e/ou alguém)

7- esse texto tão massa sobre a felicidade, do Lucas Araújo

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