Tudo sobre 2017

when you awake inside

02 . 12 . 2017

lança o barco contra o mar
venha o vento que houver
e se virar, nada

pega a mala que couber
vira a estrada sem saber
e se perder, calma

eu não sei nem por onde começar.

penso que posso dividir 2017 por sentimentos ou conclusões adquiridas sobre tudo pelo que passei. agora, ouvindo essa música do rubel, eu me vejo analisando esse turbilhão todo como um grande oceano, aquele mar que sempre aparece nos meus sonhos, que sempre me amedronta e me encanta.

para 2017, meu único desejo era que ele fosse leve. foi a última coisa que ele foi. pesado, intenso, cheio.

em 2017, eu naveguei por mares que me ensinaram que não se navega sem dor.

mas fui feliz aqui. fui feliz, mas nunca é o suficiente. porque sempre que você parar pra pensar, você vai querer um tantinho mais de felicidade. você vai querer mais tempo na cama sem fazer nada, vai querer repetir uma viagem, vai querer conhecer um lugar novo. isso é incrível e é possível sempre, é saudável. mas e quando seus quereres estão entrelaçados com outras pessoas? como você faz quando o seu querer permanece e o do outro muda?

esse ano me ensinou a ressignificar. se 2016 foi um ano difícil, cheio de obstáculos e dias malucos inconstantes, dúvidas, medos, 2017 foi o ano da perda. o ano de se perder e se encontrar dentro do não-querer. de fazer escolhas a partir de cenários não escolhidos. de se adaptar.

dói um pouquinho todo dia. histórias que foram e não são mais, expectativas (sempre elas) frustadas, saudade.

mas aí você acorda por dentro. e percebe que, de alguma forma, deixando os pedaços pelo meio do caminho, você continua navegando.

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