Tudo sobre amizade

Sobre a sua real importância

30 . 07 . 2016

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Uma das coisas mais dolorosas de aprender quando você cresce, vira adulto, amadurece ou algum caralho desse, é descobrir a sua real importância para as outras pessoas.

Muito provavelmente todas aquelas decepções amorosas eram um pouco do que estava por vir. Aqueles caras que ficavam com você hoje, não te ligavam amanhã, que te descartavam depois de meses de relacionamento (seja lá qual tipo de relacionamento eles achavam que tinham com você), aqueles caras já tavam te mostrando essa realidade. Você que não entendeu direito e achou que o problema é com você.

Assim, é com você, mas você não é uma pessoa por causa disso. A verdade é que a gente não tem a mesma importância sempre na mesma medida que a gente dá. Isso dói um pouco mais quando acontece com amigos. E, de um jeito ou de outro, todo mundo tá fazendo isso com todo mundo.

Vai chegar aquele momento de preferir sair com essas pessoas aqui do que com aquelas. De conversar com aquelas e não sair com essas pessoas aqui. Sabe? A importância tem várias medidas, pra determinados momentos.

Tem seus amigos que você quer ver a qualquer custo, a qualquer hora, assim que der tempo nesse trabalho que te consome a semana toda. Mas, será que eles sentem o mesmo? Talvez para eles existam outras pessoas mais importantes, outras festas, livros ou Netflix.

Hoje, eu “meço” amizade de um jeito diferente. Não é uma troca de medidas iguais. Você pode dar 10 toneladas de alguma coisa e receber de volta só 1 quilo. No fim, a conta nunca vai fechar. Mas você vai aprendendo que amor não tem medidas, sabe? Dói, mas passa. E a gente carrega esse forninho sem reclamar.

Parece desabafo com mágoa e talvez seja. Mas, como dizem: vida que segue.

Foto: the ordinary young man

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Eu tô falando é de amizade

14 . 01 . 2015

É difícil conservar uma amizade por 15 anos. Seria mentira minha dizer que não, dizer que ~ah, só basta o amor e a vontade~ e romantizar esse fato. Não é fácil mesmo. Principalmente quando você tem cinco mulheres de vidas bem diferentes, personalidades bem marcadas e tudo mais. O dia a dia dificulta os encontros e tentamos mais do que conseguimos. Houve um tempo em que a gente só se encontrava por acaso, e eu acredito que em algum momento todas perceberam uma coisa muito importante: tem que dar um jeito, porque a gente não pode perder isso.

Em 15 anos as pessoas mudam drasticamente, então a amizade se modifica. Ninguém é constante, você vai amar ou deixar. Esse deve ser o segredo de longos casamentos inclusive: aceitar que o outro vai mudar, sim, porque o tempo e o mundo ao redor vão estar em movimento, te afetando todo dia. Se você escolhe ficar junto é porque o amor, o carinho, o respeito passam por cima de outras coisas. Pra mim, isso é a coisa mais bonita de uma convivência, até porque precisa ser uma via de mão dupla. É ver que, mesmo quando você se achar insuportável, vai ter alguém pra segurar a barra junto.

E aí tem Ju, Dani, Tamy e Jess, essas minhas amigas de longa data. A gente passa meses ensaiando, tentando juntar todos os namorados — juntar cinco já é difícil, imagine adicionar mais cinco homens com peladas marcadas em dias diferentes (!), e organizando algum encontro pra que, nos minutos finais, alguém não consiga ir. É foda, mas a gente desiste? Não. Sempre tem um jeito. E os aniversários são espaçados, ainda bem!, porque aí é mais motivo ainda pra encontros durante o ano. E quando não dá certo existe a confra, que excepcionalmente em 2014 foi o único dia em que conseguimos estar todas no mesmo local, no mesmo horário.

Quando a gente se vê é só riso, falatório e piadas internas que ninguém entenderia (né, lindas?). São anos e anos. E por mais que não sejamos confidentes, companheiras do dia a dia, por mais que tenhamos pessoas mais próximas em tantos outros momentos, a gente é tipo um clubinho fechado. Uma irmandade. Um time :)

Eu só consigo imaginar a velhice quando eu estou com meus amigos. E com elas, me vejo uns 45 anos pra frente, sentada na praça, fofocando sobre o o povo do ensino fundamental.

Uma vez Barbie, sempre Barbie ♥

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25 descobertas em 25 anos

19 . 07 . 2014

Há dez dias, eu fiz meus 25. Me imaginava chegando nessa idade bem diferente do que sou e como estou hoje, mas não reclamo. Me sinto jovem, me sinto feliz e cheia de coisas pra fazer. Ontem me perguntaram minha idade e passei uns 3 segundos pra responder, evento este que dura uns dois meses pós aniversário. No fim das contas, muita coisa permanece igual.

Desde junho, tô amadurecendo essa lista. Será que consigo fazer uma nova por ano? Fica aí o desafio.

1. Estou velha o suficiente pra não me preocupar com celulites e futuras rugas, mas bastante nova pra me cuidar hoje e nem jamais pensar nessas coisas depois. Nunca me senti tão bem comigo mesma, e se penso em emagrecer, engordar ou alisar o cabelo, é por minha pura e única satisfação.

2.  Dá pra guardar dinheiro sim. Dá pra consumir menos agora pra realizar um puta sonho depois.

3.  Dá pra ser feliz no amor. E com um cara só, com um cara massa.

4. Pode sonhar em ter um filho, um cachorro, um carro e uma casa. Em ser brega.

5. É possível ter os melhores amigos do mundo, conservar e cultivar pessoas maravilhosas na vida. Mesmo sendo uma chata maior hahaha

6. É possível passar dois meses sem usar Foursquare e consequentemente não stalkear/ser stalkeada. Porém, com o estudo finalizado, estou voltando e achando o Swarm lindo.

7. Estar errado é a coisa que mais faz a gente aprender a ser melhor.

8. A sua fé não precisa ser igual a dos outros. Não precisa de cartilha, não precisa ser discutida.

9. Perder um pai é dos maiores sofrimentos que se pode viver. E dói mais ainda não saber expressar sentimentos e ver que muito do que você queria ter feito ficou só na sua cabeça. É preciso falar, demonstrar e cuidar.

10. Deixar o dinheiro em segundo lugar e colocar a satisfação pessoal, a liberdade e a paz na frente: dá pra ser feliz, sim. (Mesmo sendo lisa)

11. Sempre teremos cerveja pra aliviar a dor.

12. A natureza é uma fonte inesgotável de renovação pra alma.

13. O choro é livre. Não há vergonha nisso. Tem que chorar mesmo.

14. Viajar é provavelmente a melhor coisa dessa vida.

15. Saúde em primeiro lugar. Não tem essa de não gostar de ir ao médico, de não se cuidar. Tem que se ligar.

16. A paciência é um negócio que se conquista. Como viver estressada me dá gastrite e outros problemas, resolvi ser mais calma. Hoje, sou uma pessoa que explode pouco, espera mais e não reclama tanto.

17. Aprendi que usar batom vermelho, laranja, roxo, etc, é massa. É uma arma pra se sentir maravilhosa em dias ruins.

18. O amor não é uma constante. Ele muda e se transforma. Pode ser uma loucura e uma calmaria ao mesmo tempo. É leve, não é sofrimento.

19. Quando mais você bebe na vida, menos bêbado você fica.

20. É preciso se afastar de gente bad vibes, de gente escrota e de gente maluca.

21. É preciso defender seu ponto de vista.

22. É extremamente necessário comer carne. Como eu passei 5 anos sem um pedacinho de picanha?

23. Criar expectativas é uma merda, mas você sempre vai cair nesse erro e inevitavelmente vai se ferrar muito por isso.

24. Se você tem livros, música e seriados, domingos nunca serão chatos.

25. Tem que curtir viver. Todo mundo tem problemas, tem seus momentos ruins e suas tristezas pra chorar. Mas, po, viver é massa demais.

sobre o #12. foto do instagram

sobre o #12. foto do instagram

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De sempre

14 . 06 . 2014

Parou pra pensar na rotina e nas coisas que faz com frequência. Nas pessoas que vê sempre e com aquelas que fala todo dia, uma vez por semana, uma vez por mês. Percebeu que vive uma constante há um bom tempo. Cinco, seis anos? Algumas novidades encontradas no caminho. Amigos, lugares, experiências, bagagens. E dores e arrependimentos.

Pensou no que fica.

As festas pra bater ponto, os aniversários que não pode faltar. Os que não pode deixar de perder. Os carnavais, os São João em Caruaríveis, a mesma cerveja. O vinho Carreteiro pra noites frias e sem dinheiro, as baladas de rua. O bacurau, a carona da mãe. Sair do bairro de São José pro Recife Antigo. A pé. Na ponte, na chuva, quem liga? Vamos todos morrer mesmo. Se espreme na marquise, afinal, quem nunca? Já fez isso antes. Se deixar, vai fazer isso sempre.

E vai ter os mesmos amigos pra sempre, porque precisa fazer as coisas de sempre. Com dezoito, vinte e cinco ou trinta anos. Vai lembrar das histórias de antes, das tabaquices que viraram piada interna, das risadas que vai dar eternamente por culpa da época do colégio. Dos apelidos, meu deus! Vai ser doce e vai ser amargo, porque o tempo passou, porque envelheceu, porque ainda não deu tempo de fazer tudo.

Também vai conhecer mais gente, vai esquecer o nome. Ou vai sair com essa galera, que depois não vai encontrar tão cedo. E não vai fazer questão. E vai achar vazio. Se Tiago tivesse aqui, seria muito melhor. Se Camila conhecesse esse povo, ia ser massa. Falta gente. Vai fazer mais amigos, porque sempre faz. Vai gostar de uns, se abrir pra poucos, porque é assim que funciona. Vai precisar daqueles de sempre.

Porque é lá que encontra o riso solto, às vezes sem razão de ser. É lá que tem felicidade sincera. Sempre.

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Ilustra de Carla Torres para o livro Larry & Friends

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