Tudo sobre bad vibes

Das cenas que voltam como um filme

21 . 12 . 2016

Eu faço um esforço danado pra revisitar momentos bons. E poucas vezes consigo. Ou consigo com flashes, pedacinhos, erros de continuidade e coisas do tipo. Talvez seja assim com a maioria das pessoas.

Perdi as contas do tanto de esforço que já fiz pra lembrar de dias massas e de noites gostosas. Quando acontece, é incrível. Dá até um arrepio no corpo inteiro, acho que é a sensação de voltar no tempo e viver de novo o que foi bom.

Mas lembrar de coisas ruins, mermão, isso eu sei fazer.

Acho que eu sou uma pessoa traumatizada. E eu não consigo evitar. Eu guardo elas na gavetinha da cabeça, tento trancar com chave, mas dão um jeito de sair. Aquelas cenas pavorosas que você queria deletar e que insistem em voltar como um filme.

Antes, eu achava que isso acontecia com fatos recentes (infelizmente, os bons, sejam recentes ou antigos, eles vão ficando esquecidos ou mal contados na memória). Aí foi só colecionar bad vibes nesse final de ano que várias outras cenas surgiram claras como no dia em que aconteceram. O tanto que isso é bizarro eu não sei.

Só que parece um jeito do próprio corpo se sabotar.

imagem: heather carr

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01 pergunta irritante

22 . 01 . 2015

Já aconteceu várias vezes. Tô numa festa, num evento, num concerto, em qualquer coisa. Chega alguém e segue o diálogo:

– Oi, Jacque! E aí, tudo bom?
– Opa, tudo certo! E tu, tranquilo?
– Sim, tudo!
– :D
– :D
– …
– Ei…mas cadê Igor, hein?

Galera, beleza. Eu namoro com Igor há três anos, não acho ruim e entendo que é normal perguntar por ele, eu pergunto pelos chegados dos meus amigos também. Juro que não tô sendo ranzinza. O lance é o tom. Por ele, a gente percebe quando a pessoa não tá perguntando se meu namorado tá bem, se tá tudo certo, como vai a força, etc. É isso aqui que a pessoa quer dizer:

– Tais fazendo o quê aqui sem Igor, hein???????

Quem conhece a gente sabe que, com uma frequência maior que muitos casais por aí, fazemos muitas coisas separados. Não raro você vai me encontrar bebendo com amigas, solteiras ou não (porque parece ser relevante o status de relacionamento dos outros também), sem Igor. Ou vai ver ele num show de brega — mesmo não sendo esse o tipo de música que ele escuta, só pra acompanhar um grande amigo. Às vezes eu fico desgraçada da minha cabeça, tentando entender como pode ser normal duas pessoas virarem “um casal” apenas, perdendo a individualidade. Parece que acham que viver livre, leve e solta não combina com o fato de estar em um relacionamento ~sério~.

Parem com isso, é uma coisa muito piegas. E me faz parecer anormal, o que é bizarro, se o meu normal é fazer coisas que eu gosto independente da companhia. Por muita sorte na vida eu tenho ótimos amigos pra compartilhar e dividir momentos distintos, com gente idem. Não dá pra viver encangado. Se não há confiança, ou seja lá o que falta, pra deixar o outro ir e vir, qual o sentido, na moral?

Ninguém é metade de ninguém, minha gente. Veio todo mundo completo de fábrica.

01passaro

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