Tudo sobre barras da vida

Sofá

22 . 12 . 2016

eu não gosto de montanha-russa. não gosto de aventura.

antes, eu achava que eu gostava. já fiz rapel e gosto de esportes sim, de alguns. coletivos, de contato, dentro d’água. eu só não gosto de me machucar. nem do medo de cair, de ser derrubada. de sentir dor. veja bem, eu suporto a dor, mas tem dor que bate errado. e essas de adrenalina demais, essas são das doídas. e obviamente por isso eu corro de montanha-russa, porque tem um grande risco do negócio ser grave depois de uma queda.

eu gosto da tranquilidade de deitar no sofá, de assistir netflix. de balançar na rede. [ou não, acho que prefiro ela parada, só o vento na cara]. de ir até o chão e subir, mas só se for ralando calcinha em festa. de mesa de bar, de tropeçar na minha embriaguez. de fronha, da luz amarela do abajur. do mar, da areia quente, da sombra do guarda-sol. de sair do avião, de turbina parando de girar. voar só é bom em sonho, em pensamento.

eu gosto de calma. de paz. da monotonia de uma vida simples.

uns dizem que isso é viver sem emoção.

eu só quero deitar no sofá.

-    , ,  -


Das cenas que voltam como um filme

21 . 12 . 2016

Eu faço um esforço danado pra revisitar momentos bons. E poucas vezes consigo. Ou consigo com flashes, pedacinhos, erros de continuidade e coisas do tipo. Talvez seja assim com a maioria das pessoas.

Perdi as contas do tanto de esforço que já fiz pra lembrar de dias massas e de noites gostosas. Quando acontece, é incrível. Dá até um arrepio no corpo inteiro, acho que é a sensação de voltar no tempo e viver de novo o que foi bom.

Mas lembrar de coisas ruins, mermão, isso eu sei fazer.

Acho que eu sou uma pessoa traumatizada. E eu não consigo evitar. Eu guardo elas na gavetinha da cabeça, tento trancar com chave, mas dão um jeito de sair. Aquelas cenas pavorosas que você queria deletar e que insistem em voltar como um filme.

Antes, eu achava que isso acontecia com fatos recentes (infelizmente, os bons, sejam recentes ou antigos, eles vão ficando esquecidos ou mal contados na memória). Aí foi só colecionar bad vibes nesse final de ano que várias outras cenas surgiram claras como no dia em que aconteceram. O tanto que isso é bizarro eu não sei.

Só que parece um jeito do próprio corpo se sabotar.

imagem: heather carr

-    ,  -


Amo quando me pedem pra ficar calma

02 . 02 . 2015

raivinha

Eu me olho no espelho e encaro uma pessoa paciente, bem menos explosiva que no início da vida adulta, quando eu chorava demais e arrancava os cabelos a ponto de ter gastrite nervosa. Houve algum plot twist que me fez mudar, mas certas vezes eu paro e percebo uma coisa muito importante: eu ainda não sei lidar com a raiva.

Às vezes eu tenho uns BOOMS de irritação e não consigo controlar meu corpo. Essa semana foi uma prova de fogo pro meu estilo de vida ~zen moderno~. Os fatos:

– A GVT me TIRANDO do meu corpo e do sério com um serviço nojento por três dias de ligações, de “já está resolvido” e “pensamos que estava resolvido mas vamos verificar novamente”

– Gente estúpida que acha que manda no mundo pelo simples fato de estar por trás de uma armadura de ~grande empresa

– Quando cismam que eu tô errada, que tô equivocada, que não é bem assim e, caralhos, eu estava certa desde o início. E já sabia.

Esse desabafo é mais um apelo: se você tiver uma receita pra curar de vez esses picos de irritação e ficar calma, favor deixar nos comentários e dividir comigo. A paz mundial agradece.

 

Ilustra do Angry People

-    , , , , ,  -


Aprendendo a admitir fracassos

12 . 01 . 2015

Dias atrás, meu digníssimo namorado me emprestou o livro “A Graça da Coisa”, de Martha Medeiros. Eu até gosto dela, apesar de não concordar com várias colocações bestas sobre amor, feminilidade  e feminismo, mas por hoje eu vou deixar pra lá. Martha sabe pegar as trivialidades do cotidiano e dar uma dimensão legal pra elas. Acho que fez isso divinamente bem na crônica Admitir o fracasso, que dá pra ler toda aqui, mas eu quero destacar o seguinte trecho:

Todas as nossas iniciativas pressupõem um resultado favorável. Ninguém entra de antemão numa fria: acreditamos que nossas atitudes serão compreendidas, que nosso trabalho trará bom resultado, que nossos esforços serão valorizados. Só que às vezes não são. E nem é por maldade alheia, simplesmente a gente dimensionou mal o tamanho do desafio. Achamos que daríamos conta, e não demos. Tentamos, e não rolou. “De novo!”, ordenamos a nós mesmos – e, ok, até vale insistir um pouquinho.

Só que nada. Outra vez, e nada. Até quando perseverar?

Desde o início do meu período ~sabático, topei várias vezes com essa questão. Até quando tentar? Onde fica o fim da linha? Se tem uma frase que eu não suporto é daquela música do Renato Russo/Legião, que diz que “quem acredita sempre alcança”. Minha gente, vivendo como vivemos hoje, quem acredita nisso de verdade? Sou pessimista demais? Nem. Passei um tempão acreditando que eu era muito negativa mas descobri que não. Eu sonho, vou atrás das coisas e sou até um pouco orgulhosa. É onde a gente se ferra nesse negócio de admitir fracasso.

Até que, em janeiro de 2015, admiti que não dava mais pra continuar um projeto de longa data. Por pura falha minha, talvez, ou pela soma de diversos outros motivos, mas isso nem importa mais. É bola pra frente, tirar o carro da vaga apertada e tentar encaixar em outra. Sempre há uma solução. É a jornada que continua  :)

Olhaí, tô sendo otimista.

estacionando_failbetter

né?

 

-    , , ,  -