Tudo sobre desabafo

Sobre querer mandar em tudo. E em todos

10 . 03 . 2017

Eu odeio não estar no controle.

Já percebi isso tem tempo. Gosto de mandar, gosto de resolver, porque assim eu acabo tendo tudo nas mãos. E, mesmo que eu prefira muitas vezes que as responsabilidades e as “tomadas de rédeas” não partam da minha pessoa, gosto de ter a ilusão de que, direta ou indiretamente, eu sou sim responsável pelo que tá acontecendo ou vai acontecer. Que sou agente, que não sou inerte. Eu gosto de me sentir a parte ativa até mesmo quando sou passiva. E isso se estende pra muita coisa. E tudo bem até aqui.

Quando uma pessoa altamente controladora não tem domínio sobre as coisas, o mundo cai. É como se você ficasse perdido num labirinto, uma barata tonta no jogo da vida. E esse caos de não saber o que fazer, não poder fazer do jeito que ~é para ser~, me deixa louca.

Existem coisas, pessoas, situações que só acontecem para confundir a cabeça. Para você ver que é só um pedacinho de nada na sua história, que o meio externo e seus personagens tem muito mais poder de influência na sua vida do que você imagina. Não dá pra decidir tudo, não dá pra escolher como os outros vão ser ou reagir, não dá pra jogar como se tudo fosse peça de um quebra-cabeça. Você nunca consegue encaixar tudo como você quer. As pessoas não vão seguir o seu planejamento, elas vão mudar de ideia, mudar tudo de novo. E nunca é fácil. Eu tenho a leve impressão de que as coisas que vem de dentro, dos outros, são as mais difíceis e que pra todo o resto na vida há jeito. Aí, meus amigos, não tem muito o que fazer.

Senta, chora e espera passar.

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Pequeno pote de mágoas

31 . 12 . 2015

Eu sou uma pessoa altamente “magoável”, e deve ser o signo. Do alto desses meus 26 anos, muitas águas com mágoas já rolaram, já secaram. Dava pra encher uma caixa d’água inteira muito provavelmente, mas de uns tempos pra cá eu aprendi a deixar as coisas passarem, aprendi a esquecer.  O problema é  que sempre tem um ou outro negócio que incomoda e que não dá pra tirar. E aí você guarda um bom pote de mágoas, bem quietinho e empoeirado.

Sabe, eu não consigo evitar. E eu já sei e já deixo aqui no aberto pra quem quiser saber: nada me magoa mais do que o sentimento de descarte. De perceber que você serviu e valeu como alguém na história do outro enquanto era necessário. Nada é mais triste do que perceber que toda a consideração que você reserva – por mais que tente evitar – pra outro é descartável. Que não faz diferença e não é ~digna de atenção. Machuca, caras, por mais que você não queira admitir.

E olhe que sou dura na queda. Mas só de notar que isso já aconteceu na minha vida umas três vezes – é até onde me lembro, dá uma dorzinha. Porque uma coisa é você se afastar, ir minando aquela conexão. (Até porque eu faço isso sempre que sinto uma presença nociva). É bem diferente. Coisas que acontecem de uma hora pra outra, sem motivo real, por pura e simples constatação de que “fulano não me serve mais”. Isso, amigos, é triste demais.

Mas deve ser ainda mais triste pra quem vive de descarte, de amizades vazias, de ~eu te amo~ sem significado e sem sentimento. Quando eu penso o quanto isso deve ser meio que solitário, sinto até um pouco de pena. Não essa pena maldosa, mas aquela pena real, de quem gostaria de ajudar. Gostaria, mas nunca poderia. E vida que segue, porque temos um ano inteiro aí, com um dia a mais inclusive, pra tentar ir relevando e secando o pote, porque há muito o que se fazer.

Deixo 2015 com apenas esse último desabafo.

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Uma manifestação válida

16 . 03 . 2015

Ontem, eu vi e li muita coisa lamentável, talvez você também, né? Não acho que a gente deve tirar o direito de ninguém de protestar, mas é foda como tem gente ignorante, preguiçosa, burra…ou que não se importa que o seu privilégio tira o benefício e as poucas conquistas dos outros. Enfim. Eu não sei se acho graça ou se choro com tanta coisa patética.

Aí, magina que louco se todo mundo se manifestasse contando seus arrependimentos, suas merdas? Então, a fotógrafa romena Alecsandra Raluca Dragoi teve uma ideia: saiu na rua perguntando qual foi o maior desgosto da vida das pessoas e fotografou cada um com seu cartaz. O resultado:

"do que eu fiz ontem à noite"

“do que eu fiz ontem à noite”

regrets (3)

“por estar cagando”

regrets (4)

“não tenho arrependimentos”

Trabalho massa demais. Tem uma página no Facebook com mais fotos pra conferir. Esse post me fez pensar, e queria que tu pensasse também: qual o teu maior arrependimento?

Vi no Fubiz

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Engole o choro

27 . 09 . 2012

Oi, tudo bem? Er…vamos falar sobre frustração?

Depois de postar o Manisfesto Holstee, fiquei pensando no tal texto. Eu concordo demais com o que li, como já disse. Mas tipo, e quando você tá seguindo uma filosofia ~de vida~  (não, gente, não levo/não levem o Holstee ao pé da letra, tô exemplificando a partir dele) e percebe que seus objetivos ainda ficam tão distantes da realidade, que começa a questionar suas escolhas? Foda, hein?

Nunca fui de ficar ao “Deus proverá” e acho uma besteira esse tipo de pensamento -> Se Ele quiser. Desde muito cedo tracei algumas metas pra mim, quase todo ano faço uma lista de coisas que quero completar em 365 dias. Também já falei sobre isso por aqui – e, inclusive, se eu realmente fizesse o que escrevi naquele post, talvez eu não estivesse nessa vibe. Fazendo um retrospecto de 2012 e considerando uma frase que ouvi essa semana, o ano praticamente acabou. Se fez: fez; se não fez: corre, mas ainda assim não vai dar tempo, rs. E é nessa situação que entra a tristeza de não atingir metas.

Eu deveria estar escrevendo o meu TCC, mas parei pra falar o quanto tou frustrada. Com esse projeto e com tantos outros projetos dessa minha vida. Até o quarto que prometi decorar esse ano, não comprei sequer uma luminária pra ler antes de dormir. Aliás, eu ia ler dois livros por mês. Ia ao cinema todo mês, ia entrar na academia, ia voltar a estudar outra língua. Ia crescer profissionalmente. Ia tocar grandes sonhos pra frente. IA É FREIO DE BURRO.

É uma luta diária acordar e não ter raiva de ver as coisas andando tão devagar. Parte delas por culpa da minha própria procrastinação e preguiça. Outras porque muitas vezes acho que podia ter abraçado certas oportunidades que passaram. Ou por medo de não conseguir e falhar. Ou por, de uma forma ou de outra, depender dos outros.  E algumas vezes é só uma questão de -> não dá mesmo. Aí não é má vontade, é  simplesmente “falta de”.

Só sei que hoje resolvi engolir o choro e soltar o desabafo aqui, porque, porra, ser adulto é um saco.

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