Tudo sobre engole o choro

das paredes brancas

14 . 10 . 2017

vez ou outra, eu acho uma dor diferente pra chorar.

hoje, a culpa foi das paredes brancas. um branco gelo, meio lá, meio cá. eu olho pro terceiro quarto da minha vida, inacabado, vazio. eu olho pra placa amarela, ressignificada.

todo dia, uma dor diferente pra chorar.

vez ou outra eu engulo, eu disfarço, eu bebo o choro. eu como, eu mastigo, estraçalho. ou eu nem sinto. mas todo dia, essa sensação de vazio das paredes brancas preenche alguma coisa. se é mágoa ou tristeza, eu nem sei mais.

de tudo, o que cansa é não conseguir escrever pra passar. porque sempre passa. essa ânsia de hoje, de colocar pra fora, é uma mistura de vazios, de perdas de um ano que vai terminando com paredes brancas, inacabadas, incertas, incompletas.

um ano que vai terminando mas que não terminou. e que, pelas minhas contas, vai fechar com uma perda a mais.

aí a gente tenta e escreve de novo. que passa.

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cinco

18 . 08 . 2017

há cinco meses, minha vida estava mudando loucamente. era dia de festa, de riso. era dia de sonho, de compartilhar, de trocar. há cinco meses, todos os planos de futuro pareciam o melhor dos mundos. o amor transforma coisas pequenas em grandes, supera barreiras, mexe com tudo na vida. acho que crer nisso não é ser romântico nem piegas. é simplesmente se entregar.

eu sempre usei meu espaço aqui pra falar da vida e das coisas que amo nela. de uns tempos pra cá, achei que era um problema não fazer mais isso, porque, na verdade, eu passo meu dia escrevendo, trabalhando, testando formas. faltava tempo e vontade. aos poucos, percebi que tudo bem. mesmo sem escrever sobre a vida, eu seguia vivendo.

hoje, já não me sinto à vontade pra escrever sobre tudo. talvez tenha virado algo sem sentido descarregar momentos aqui. só que também é aquela coisa: sinto necessidade de botar pra fora e encontrar mais gente “sentindo” como eu. e esse texto sem pé nem cabeça, que começou sobre o amor e a dor de hoje, termina do mesmo jeito que foi a semana: no caos. sem objetivo, sem contexto, só pra existir. só pra não engasgar.

por dentro, mesmo que ele se machuque e não se situe, o coração segue aberto. sempre.

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