Tudo sobre pessoal

Pequeno pote de mágoas

31 . 12 . 2015

Eu sou uma pessoa altamente “magoável”, e deve ser o signo. Do alto desses meus 26 anos, muitas águas com mágoas já rolaram, já secaram. Dava pra encher uma caixa d’água inteira muito provavelmente, mas de uns tempos pra cá eu aprendi a deixar as coisas passarem, aprendi a esquecer.  O problema é  que sempre tem um ou outro negócio que incomoda e que não dá pra tirar. E aí você guarda um bom pote de mágoas, bem quietinho e empoeirado.

Sabe, eu não consigo evitar. E eu já sei e já deixo aqui no aberto pra quem quiser saber: nada me magoa mais do que o sentimento de descarte. De perceber que você serviu e valeu como alguém na história do outro enquanto era necessário. Nada é mais triste do que perceber que toda a consideração que você reserva – por mais que tente evitar – pra outro é descartável. Que não faz diferença e não é ~digna de atenção. Machuca, caras, por mais que você não queira admitir.

E olhe que sou dura na queda. Mas só de notar que isso já aconteceu na minha vida umas três vezes – é até onde me lembro, dá uma dorzinha. Porque uma coisa é você se afastar, ir minando aquela conexão. (Até porque eu faço isso sempre que sinto uma presença nociva). É bem diferente. Coisas que acontecem de uma hora pra outra, sem motivo real, por pura e simples constatação de que “fulano não me serve mais”. Isso, amigos, é triste demais.

Mas deve ser ainda mais triste pra quem vive de descarte, de amizades vazias, de ~eu te amo~ sem significado e sem sentimento. Quando eu penso o quanto isso deve ser meio que solitário, sinto até um pouco de pena. Não essa pena maldosa, mas aquela pena real, de quem gostaria de ajudar. Gostaria, mas nunca poderia. E vida que segue, porque temos um ano inteiro aí, com um dia a mais inclusive, pra tentar ir relevando e secando o pote, porque há muito o que se fazer.

Deixo 2015 com apenas esse último desabafo.

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Aquele bom e velho post pra dar um sinal de vida (ou: updates aleatórios)

05 . 08 . 2015

De uns tempos pra cá, este blog existe basicamente como um lembrete vivo do quanto eu sou desorganizada nessa vida.

Sim. O fato de não estar postando aqui, de estar com posts atrasados – mas pelos quais eu tenho extremo carinho (vai vendo que fará UM ANO que viajei e sequer concluí um rascunho sobre o mochilão) – é uma das provas de que eu realmente não sei acumular muitas coisas ao mesmo tempo. E isso me fez perceber, mais uma vez, que a vida é feita mesmo de prioridades e que eu preciso aprender a lidar com as minhas.

Continuo a nadar nesse mar de desorganização geral, mas estamos aí na tentativa.

Bom, os updates da minha vida – que não anda muito interessante, mas vamos lá: 26 anos, amigos, fiz 26. Troquei de emprego, adoeci, melhorei, descobri que preciso fazer fisioterapia, dormi, não consegui terminar de ler alguns livros, comi muitos hambúrgueres, atrasei vários capítulos de Falling Skies (acaba logo, desgraça!), me apaixonei por Johnny Hooker, tô achando essa temporada de True Detective uma bosta mas não consigo parar, planejei uma pauta pra colocar aqui e não cumpri, troquei de computador e descobri que, se eu me machuco até com o vento, claro que vou me machucar nessas quinas de ~alumínio .

No momento, não pretendo prometer nada. Preciso ir colocando nos eixos todo esse monte de bagunça que eu acumulei. E, olha, apesar de tanta turbulência, sempre que me perguntam se tô bem, se as coisas estão caminhando ou porque eu tô tão diferente, a minha resposta padrão:

– Estou na fase mais serena da minha vida.

É isso.

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Quando o ano recomeça

06 . 07 . 2015

Segundo semestre é sempre um troço complicado. É quando você olha pra trás e percebe que – minha nossa – já estamos na metade do ano! Como passou rápido. Daqui a pouco chega o Natal. so-many-clichês. Pra mim, julho sempre chega com esse gostinho e mais: é o meu mês. Mês de chuva, de festa, de sentimentos diversos. Como boa canceriana, sou uma montanha-russa de emoções, cheia de fases e transformações, tal qual a querida regente – dona lua. Nesse mês, parece que tudo se intensifica, e 2015 taí pra me mostrar que: a vida é feita de recomeços.

Depois de um ano extremamente maravilhoso e extremamente angustiante, o saldo do primeiro semestre de 2015 é que parece que ele foi uma grande introdução pra o que vem por aí. Mais novidades, mais descobertas, mais projetos, mais esperança e confiança. Preciso fazer um tantão de coisa, quero que mais outro tanto aconteça e, como poucas vezes nessa vida, me vejo tão otimista e serena que acho que sim, vai dar. Vai dar certo, vai ser o que for melhor, ainda tem muita coisa pra rolar. Aqueles desejos que pareciam tão inalcançáveis ou frutos de trabalho hercúleo nunca foram tão palpáveis. Acho que a vibe é essa. Acho que o mantra tem poder.

Eu entrego.
Eu confio.
Eu aceito.
Eu agradeço.

Vamo nessa, 2015. Tô de coração aberto :)

Foto do sempre maravilhoso Igor Pimentel

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A importância do Não

18 . 04 . 2015

Atenção: Não é mais um texto ensinando como educar seus filhos (pois zero conhecimento de causa).

Eu entendo perfeitamente a dificuldade em dizer não. Aquele “não” que vai magoar, que vai fazer mal pro outro, aquele pra um convite irrecusável…enfim, pode ser difícil, todo mundo sabe. Só não entendo uma coisa: não-dizer-não quando isso vai ajudar a pessoa a seguir em frente, quando ele tá te dando, no caso, fechamento.

Tô falando do “não” pra quem tá se candidatando a um emprego.

Eu, atualmente sem um trabalho “normal” e vivendo de freela, posso falar com propriedade aqui. E talvez esteja me queimando, caso algum possível entrevistador ache esse post, mas a verdade é que não me importo. Eu precisava falar.

A realidade >> tô procurando um trabalho novo, um lugar massa pra entrar, porque percebi que essa “vida de agora” não é pra mim. Tentei, não deu. Aí a gente faz outra coisa, tem outros troféu (sic), como dizem por aí. Me candidatei a algumas vagas, recebi alguns feedbacks, fui em algumas entrevistas. Se eu contar o tanto de e-mail não respondido, entrevista sem retorno…tu chora. Aliás, talvez você não chore, porque já passou por uma situação pior ou igual.
O fato >> o que custa, pra alguém do outro lado, na sua cadeira confortável ou até mesmo resolvendo broncas, que seja, o que custa pensar dois segundinhos fora da caixa? Pensar no outro? O outro que, talvez, ele já tenha sido um dia? A pessoa que sequer cria expectativas mais, afinal de contas, está tudo muito complicado. Que já entende o silêncio como não, mas que sempre tem uma pontinha de esperança, essa danada. Muita chateação e decepção (sabe quando você sai de uma entrevista achando que tá tudo certo e depois cagam pra você? tamo junto.) poderia ser evitada com algumas pequenas respostas, tipo:

  • Não
  • Você não faz o perfil da empresa
  • Não estamos procurando ninguém no momento
  • Não há vagas
  • A vaga já foi preenchida
  • Obrigada pelo interesse
  • Risos
  • Amiga, melhore

Pode ser que magoe, até porque, seguindo meus conselhos, a pessoa muitas vezes estará sendo grosseira rs. Mas causa fechamento, encerra uma possibilidade. Outro dia, quem sabe, talvez, mas agora você pode tirar isso da sua cabeça. Seguir em frente sem pensar que poderia ter sido diferente. Não leva mais que dez segundos pra enviar uma frase dessas aí.

Aí você me diz: ai, mas eu tenho muitas tarefas, recebi mil e-mails, como vou responder todos?

Cara, não sei, mas sei que dá. Me lembrei agora de uma coisa que aconteceu com meu irmão. Ele ficou encarregado de anunciar e selecionar alguém pra uma vaga de estágio. Ele fez um anúncio, colou no mural da faculdade, recebeu vários e-mails, respondeu todos, marcou as entrevistas. Escolheu uma pessoa. No final do processo, ele veio conversar comigo, perguntou algo como “Jacque, como eu faço um e-mail pra mandar pra quem não passou na seleção?”. A gente sentou, escreveu um texto rápido, desejamos boa sorte. Copiamos todos ocultamente e foi. Fechamento. Principalmente pra quem tá começando, procurando estágio, às vezes o seu primeiro trampo, isso é importante, pô. Talvez seu currículo esteja com erros de português, talvez seja uma piada, talvez simplesmente não foi dessa vez. De alguma forma, você vai procurar erros, achar ou não e vai continuar tentando. Vida. que. segue.

E ninguém precisa fazer como eu tô dizendo, mas sempre existe um jeito. Sempre dá pra ser legal com alguém, melhorar o dia de outra pessoa que precisa que seu dia seja melhorado. E se dessa vez não deu, certamente o vácuo não é a alternativa mais legal.

É só dizer não.

no

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