Tudo sobre relacionamento

Sobre querer mandar em tudo. E em todos

10 . 03 . 2017

Eu odeio não estar no controle.

Já percebi isso tem tempo. Gosto de mandar, gosto de resolver, porque assim eu acabo tendo tudo nas mãos. E, mesmo que eu prefira muitas vezes que as responsabilidades e as “tomadas de rédeas” não partam da minha pessoa, gosto de ter a ilusão de que, direta ou indiretamente, eu sou sim responsável pelo que tá acontecendo ou vai acontecer. Que sou agente, que não sou inerte. Eu gosto de me sentir a parte ativa até mesmo quando sou passiva. E isso se estende pra muita coisa. E tudo bem até aqui.

Quando uma pessoa altamente controladora não tem domínio sobre as coisas, o mundo cai. É como se você ficasse perdido num labirinto, uma barata tonta no jogo da vida. E esse caos de não saber o que fazer, não poder fazer do jeito que ~é para ser~, me deixa louca.

Existe coisas, pessoas, situações que só acontecem para confundir a cabeça. Para você ver que é só um pedacinho de nada na sua história, que o meio externo e seus personagens tem muito mais poder de influência na sua vida do que você imagina. Não dá pra decidir tudo, não dá pra escolher como os outros vão ser ou reagir, não dá pra jogar como se tudo fosse peça de um quebra-cabeça. Você nunca consegue encaixar tudo como você quer. As pessoas não vão seguir o seu planejamento, elas vão mudar de ideia, mudar tudo de novo. E nunca é fácil. Eu tenho a leve impressão de que as coisas que vem de dentro, dos outros, são as mais difíceis e que pra todo o resto na vida há jeito. Aí, meus amigos, não tem muito o que fazer.

Senta, chora e espera passar.

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Reflexão aleatória sobre casamento: o caos

19 . 12 . 2016

Existiu um tempo onde, além de escrever no blog, eu ainda escrevia sobre as mazelas da vida. Isso era bem comum há uns dez anos, mas hoje, com a gente querendo sempre ser feliz na internet, cada vez mais isso se perde. No meu caso, é muito pra me preservar também. E é muito preguiça. Eu poderia falar muito das viagens que fiz, do mochilão de 2014, do meu namoro de quase cinco anos, mas muitas vezes me falta vontade de expor. De uns anos pra cá, acho que me tornei uma pessoa um pouquinho mais reclusa (muito por conta de umas perseguições que agora não me amedrontam mais e nem vem ao caso) e mais consciente de que, muitas vezes, a vida taí apenas pra ser vivida.

Mas hoje me deu vontade de escrever.

Ano que vem eu me caso com menino Pimentel. Pouca gente fala dos problemas que isso traz. Dos questionamentos, dos medos, das responsabilidades. Mas muito se fala do aprisionamento – principalmente do homem – e muita merda nesse sentido chega, literalmente, no altar. Canso de ver nos grupos de noivas plaquinhas com “Fulano, ainda dá tempo de fugir” ou “Game Over”. Eu fico um pouco chocada ainda como esses podem ser os problemas que as pessoas veem no casamento, como se encarassem uma prisão, uma clausura. E eu acho que relacionamento é outra coisa, mas sobre isso eu falo em outro texto.

(e aqui, um grande parêntese. casamento pra mim não é a festa que teremos ou o papel que a gente vai assinar. casamento é compartilhar uma casa, uma vida. é juntar os trapos mesmo. nunca entendi quem diz que vai morar junto antes de casar. eu não vejo muita diferença e é disso que tô falando: de viver junto, todo dia, no mesmo teto. tem gente que prefere não rotular isso como casamento, e tudo bem. eu prefiro dar nome ao que eu acho que já tem nome, ao que acho cabe.)

Vou casar chega passando na cara várias coisas que eu não notava. Deixou claro o meu monte de defeitos e irresponsabilidades. Me mostrou coisas que me incomodam em Igor. Me fez várias vezes questionar se temos maturidade e estabilidade, principalmente financeira, para mantar um lar saudável, sem estresses e apertos. Não nos falta amor, mas dividir uma vida, contas e broncas não é brincadeira. E eu sou a pessoa mais cagona do universo, mais organizada, perfeccionista até demais. Nunca moramos por nossa própria conta, nunca precisamos fazer uma feira. Ao longo desse ano, a vida trouxe – principalmente para mim – uma porrada de perguntas sem resposta, de dúvidas que se enfiaram no meio de uma relação aparentemente sem nóias. E não é bem assim.

Hoje, eu encaro o casamento como uma etapa de amadurecimento não do casal que somos, mas dos indivíduos que somos, sozinhos. Do que queremos, de como vamos viver os próximos anos. Do que falta pra estarmos satisfeitos com o nosso trabalho, com o nosso jeito de ganhar o dinheiro porque, afinal, no mundo em que vivemos, viver de amor e miçangas até deve ser possível, mas é difícil. E os nossos sonhos, que são muitos, não se realizarão sozinhos.

Depois de tanta conversa, choro, briga, não sei o rumo que tomamos. O que sei é que vamos. E que essa coisa de casar escancarou que, mais do que amor, carinho, afeto, é preciso ter coragem.

Seguimos.

 

Imagem: the ordinary young man

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Sobre a sua real importância

30 . 07 . 2016

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Uma das coisas mais dolorosas de aprender quando você cresce, vira adulto, amadurece ou algum caralho desse, é descobrir a sua real importância para as outras pessoas.

Muito provavelmente todas aquelas decepções amorosas eram um pouco do que estava por vir. Aqueles caras que ficavam com você hoje, não te ligavam amanhã, que te descartavam depois de meses de relacionamento (seja lá qual tipo de relacionamento eles achavam que tinham com você), aqueles caras já tavam te mostrando essa realidade. Você que não entendeu direito e achou que o problema é com você.

Assim, é com você, mas você não é uma pessoa por causa disso. A verdade é que a gente não tem a mesma importância sempre na mesma medida que a gente dá. Isso dói um pouco mais quando acontece com amigos. E, de um jeito ou de outro, todo mundo tá fazendo isso com todo mundo.

Vai chegar aquele momento de preferir sair com essas pessoas aqui do que com aquelas. De conversar com aquelas e não sair com essas pessoas aqui. Sabe? A importância tem várias medidas, pra determinados momentos.

Tem seus amigos que você quer ver a qualquer custo, a qualquer hora, assim que der tempo nesse trabalho que te consome a semana toda. Mas, será que eles sentem o mesmo? Talvez para eles existam outras pessoas mais importantes, outras festas, livros ou Netflix.

Hoje, eu “meço” amizade de um jeito diferente. Não é uma troca de medidas iguais. Você pode dar 10 toneladas de alguma coisa e receber de volta só 1 quilo. No fim, a conta nunca vai fechar. Mas você vai aprendendo que amor não tem medidas, sabe? Dói, mas passa. E a gente carrega esse forninho sem reclamar.

Parece desabafo com mágoa e talvez seja. Mas, como dizem: vida que segue.

Foto: the ordinary young man

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Sobre casais fofos

09 . 04 . 2015

Sinceramente, não acho fofo esse negócio de casal fofo.

Na maioria das vezes, um casal fofo é aquele inseparável, que faz tudo junto. Talvez eles até caguem ao mesmo tempo. Esse “modelo” de casal costuma ser bem meloso, faz declarações públicas de amor, de devoção, de perfeição mútua, almas gêmeas, coisa e tal.

O tanto que acho isso insuportável.

Dia desses, li num blog (de casal), uma coisa que me deixou absurdada: as agendas deles mudaram por uns dias, eles estavam vivendo rotinas diferentes e se encontrando pouco. Daí o rapaz fala algo como “minha felicidade depende 99% dela”, porque percebeu que não conseguia passar tanto tempo longe.  Detalhe: eles moram na mesma casa. Detalhe 2: tanto tempo era coisa de uma semana.

Bom, não vou entrar no mérito de um relacionamento apenas e exclusivamente, porque cada um faz o que quer da sua vida. Eu, que namoro há três anos com um cara que mora um tanto quanto longe de mim e que tem uma rotina no mínimo diferente, não consigo entender. E não consigo achar saudável. Essa coisa do outro ser seu mundo, sua fonte única de alegria, de energia, seu tudo-que-existe-de-melhor. Talvez, em outro tempo, quando eu me sentia uma pata desengonçada e achava que era impossível ser interessante pra alguém, talvez ali, eu me identificasse. Hoje, não entra na minha cabeça um estado de dependência em um relacionamento. E tanto faz se é algo unilateral ou não.

Assim como não cabe essa coisa de pedir permissão pra isso e aquilo, de precisar de vale-night, de não viver sua vida de boa. Pode ser que eu viva em outro planeta, e que bom que eu vivo, mas por aqui a gente resolve de outra forma. Por aqui, aprendi que é preciso rolar respeito, confiança, espaço. De vez em quando, o espaço é grande e vira saudade, mas saudade não é agonia, não é angústia, não devia ser motivo de tristeza. E o tal do casal fofo tem mania de ser melancólico, romântico, dramático. A vida já é um drama por si só, gente. No amor, a gente precisa ser leve. Ok, não dá pra ser sempre, mas a gente precisa sempre tentar. Quando é leve, sem neura e sem frescura, certamente é mais doce.

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