Tudo sobre série

Precisamos falar sobre Alicia

14 . 05 . 2016

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O Brasil tá uma bagunça, a minha vida também, mas isso é assunto para outro post. Não ressuscitei o blog para falar disso. Quero falar de uma coisa mais leve, digamos assim, mas não menos séria: vamos falar sobre o final de The Good Wife. Vamos falar sobre Alicia Florrick.

Aviso logo que vou acabar soltando spoilers leves. Talvez estrague um pouco das surpresas para quem nunca viu a série ou pra quem ainda não terminou, mas acho que depende do que você considera spoiler de fato. Fica aí por sua conta e risco.

Primeiramente, acho que vale falar porque eu comecei a assistir essa série. Antes eu achava que os roteiristas Michelle e Robert King tinham cagado muito nesse título nada chamativo. Depois que você começa a assistir, você entende. A questão é que em toda a lista séria de séries para maratonar, lá estava ela. Não era possível que fosse uma porcaria, certo? Certo. A série é incrível.

TGW é uma ~jornada de uma mulher de meia idade, casada, com filhos, dona de casa, advogada. Não é uma mulher comum, mas poderia ser qualquer mulher cheia de conflitos. Alicia sofre, Alicia bebe muito, Alicia engole seco. Ao longo de sete temporadas, a gente se envolve com ela e com vários outros personagens incríveis de um jeito que só vendo. Além dos ótimos casos de tribunal – pra quem curte esse gênero, meu deus, que prazer imenso acompanhar – existe a vida real fora do escritório, os romances, as angústias, etc. Ai, e existe Alicia.

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Alicia vai mudando de um jeito muito louco e totalmente plausível. Nada que ela faz parece forçado. Até nessas últimas duas temporadas, onde eu acho que perderam um pouco a mão e a protagonista parece insuportavelmente irritante e egoísta em alguns momentos, tudo soa bem real. Até quando a série vai dando voltas pro mesmo lugar.

Muita gente reclamou nessa reta final das escolhas da Alicia. Até eu. Por que raios ela largou a independência pra voltar pro escritório? Por que caralhos ela não larga esse Peter? Seus filhos já estão criados, seus traumas já foram superados. Ou não? Por que Alicia, uma mulher tão forte e feminista, parece ter que decidir tudo na vida baseado no que os homens que estão ao seu redor precisam, falam, pedem pra ela? Será que tudo no mundo da ficção precisa de romance para funcionar?

Dois dias depois de ter visto a series finale e matutar bastante sobre o fato de “ter terminado como começou”, talvez eu tenha chegado a uma conclusão relevantes. E por isso escrevo este humildji post.

A gente acaba esperando demais das mulheres. Hoje, somos empoderadas, independentes, conscientes da nossa posição na sociedade. Nem tanto, mas mais do que ontem. Também exigem cada vez mais um tipo de postura, forte e intimidante, nossa. Mulheres frequentemente precisam mostrar que não se abalam, que não são frágeis. E isso cansa.

100 paciência

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Alicia Florrick decidiu ajudar (mais de uma vez) um homem que a traiu (mais de uma vez), resolveu beber muitas taças de vinho em vez de resolver problemas, passou a perna no escritório, num amigo, resolveu voltar atrás, resolveu viver um amor impossível, perdeu a pessoa que mais a amou na vida (ai, que saudade que deu nesse último episódio), conheceu um cara gato e se envolveu freneticamente (minha gente, quem pode julgar qualquer atitude se você tem um JEFFREY DEAN MORGAN esperando em casa. NÉ?), levou tapa na cara, seguiu em frente. Ela fez as escolhas dela. Algumas podem parecer pautadas por um homem que sugou metade da sua juventude, mas ela parece sempre ter plena consciência do que quer. Durante todo o tempo. Doa a quem doer.

No final, ela perdeu muito. Mas apenas porque tentou fazer tudo o que podia para ser feliz e para cuidar dos outros, uma característica da personalidade protetora dela, e ponto. Não é o que todas nós estamos tentando fazer? Encontrar a felicidade? Afirmar nossos desejos? Lutar pelo que queremos?

Mesmo com os tropeços gerais das últimas temporadas de uma série quase perfeita, só posso agradecer pela existência fictícia – porém tão real na minha vida – dessa rainha dos tailleurs mais lindos da televisão. Alicia, a gente se vê um dia desses, porque certamente é uma história pra assistir mais de uma vez.

(um dia eu faço um post falando do tanto de mulheres fodonas dessa série, mas por enquanto deixo aqui o meu amor registrado por Kalinda e Diane, ETERNAS.)

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5 motivos para assistir The Mindy Project

16 . 01 . 2015

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Uma das melhores descobertas do ano passado, The Mindy Project foi recomendação de Ray, mas eu confesso que só assisti depois que soube de Chris Messina no elenco. Foi dessa série que nasceu o #projetochrismessina e, na boa, acho que todo mundo que curte comédias românticas e personagens femininas realmente interessantes precisam assistir! Cinco motivos pra começar, sem spoilers:

1. Mindy Lahiri: que mulher!

Mindy Kaling interpreta Mindy Lahiri, ginecologista, obstetra e sócia de uma clínica em Nova York. Ela é inteligente, competente, bem resolvida, bonita, etc, mas aí topa naquela clichê delicioso das comédias românticas: tem sérios problemas amorosos e o seu projeto é conquistar uma carreira de sucesso e um relacionamento saudável.

Poderia ser mais do mesmo, mas não é. Mindy é diferente do que se espera das protagonistas da televisão americana: ela é descendente de indianos. Está “fora dos padrões de beleza”,  e ainda bem que não se importa com isso. Fala o que pensa, não tá nem aí pra opinião alheia. E ela tem muitos defeitos — é um tanto preconceituosa e pedante em alguns momentos, mas tudo constrói não uma personagem má ou vilanesca, e sim uma pessoa possível, com dias bons e ruins.

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“Meu corpo está muito a fim do seu corpo, mas quando você fala meu cérebro se irrita.”

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“Eu não estou acima do peso. Oscilo entre rechonchuda e curvilínea”

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“Quais são os seus pontos fracos?” “Eu não tenho nenhum, imbecil.”

2. Mil referências da cultura pop

Pra quem ama cultura pop, a série é um prato cheio. Mindy é médica e tem toda aquela coisa do status que essa profissão traz, mas ela nem se importa. Ela curte coisas que seus colegas não conhecem, gosta de ~futilidades~, se inspira em grandes divas e sempre cita celebridades nas situações mais diversas.

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“Canções deveriam ter três minutos e Nicki Minaj rimando no meio”

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“Você não é Mindy, é uma guerreira, e o nome dela é…Beyonce Pad Thai.”

3. O charme de Danny Castellano

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Dr. C trabalha com Mindy desde sempre e também é sócio na clínica. É lindo, meio esquentado, chato e lindo de novo. Tem toda aquela coisa de machão, mas é um cara doce e de coração bão, com um relacionamento pegajoso com a mãe e uma amizade bem sincera com a nossa protagonista, e as cenas só com os dois criam os melhores momentos da série.

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“Se ainda estivermos solteiros em 5 anos e não tivermos encontrado ninguém, podemos fazer um pacto? Mataremos um ao outro”

4. Os boys

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Os namorados e rolos de Mindy são, primeiramente, bonitos. São muitos caras que passam pela vida dela, affairs ou não, e você vai perder a conta. Além disso, a série tem vários atores convidados, como James Franco, Timothy Olyphant, Seth Rogen e Seth Meyers.

Mas, o melhor cara, o mais engraçado de todos e o mais brother da Mindy é Morgan (Ike Barinholtz), que deve ser um dos únicos personagens que realmente importam entre os coadjuvantes :P

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5. Roupas, comida e música

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Mindy se veste de um jeito que é exagerado, fofo e fashionista ao mesmo tempo, não sei explicar como, mas ela consegue! A verdade é que ela nunca erra nos vestidos, sempre lindos. Além disso, quando aparece comida na série realmente dá muita vontade de comer e a trilha sonora é essencialmente boa. O piloto tem Bad Girls, da M.I.A, o que já é um bom sinal.

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Convenci? TMP está na metade da terceira temporada. Infelizmente, não passa no Brasil, mas você vai ter seus meios. Começa! :)

Esse post faz parte do #projetochrismessina, que tem o objetivo simples e claro de me fazer assistir a todos os filmes e séries já feitos por esse ator lindo e talentoso.

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5 motivos para assistir Sleepy Hollow

19 . 11 . 2014

Resolvi fazer essa lista porque SH é uma série que ganhou o meu amor. Eu curto histórias ~sobrenaturais e com personagens esquisitos e, nessa pegada, já tive muitas decepções. Só pra citar, já abandonei The Vampire Diaries, Supernatural (vocês ainda aguentam? Meu irmão sim), True Blood e, mais recentemente, Constantine — graaaande decepção.

Capitão Irving, Katrina, Ichabod e Abbie. E o Cavaleiro lá atrás <3

Capitão Irving, Katrina, Ichabod e Abbie. E o Cavaleiro lá atrás <3

A série é um dos sucessos atuais da Fox e por isso dificilmente vai ser cancelada tão cedo. A primeira temporada é imperdível e a segunda tá aí no seu nono episódio, com alguns tropeços, mas tem seus méritos. Vou dar uns motivos básicos pra ver (sem spoilers, prometo):

1. Não é uma série parada, definitivamente

Mesmo com episódios pra encher linguiça, essa série não para. Os personagens principais não cansam de correr e lutar conta as forças das trevas, e olha, certamente Ichabod Crane (Tom Mison) e Abbie Mills (Nicole Beharie) não tem tempo nem de ir ao banheiro. Salvo alguns momentos de descontração — ainda tem isso, cenas bem humoradas pra quebrar a tensão! — os caras são piores que Jack Bauer.

2. Você pode esquecer Supernatural

A sinopse, segundo o Wikipédia:

Em 1781 , Ichabod Crane, morre no meio de uma batalha na Guerra da Independência dos Estados Unidos , em uma missão para o general George Washington. Ele se levanta do seu túmulo na era moderna na cidade de Sleepy Hollow, depois do Cavaleiro Sem Cabeça (Que é depois revelado como a morte um dos quatro Cavaleiros do Apocalipse ) que tinha sido chamado de volta de seu túmulo por um estranho. A ressurreição deste é ao mesmo tempo a causa da ressurreição de Crane, devido à mistura dos sangues logo depois da decapitação do cavaleiro no campo de batalha.

Tenente Abbie Mills começa a investigar o cavaleiro sem cabeça após a decapitação do Sheriff Corbin, seu mentor e parceiro. A investigação Mills revela a presença de dois grupos ocultos (um do bem, e outro do mal) em Sleepy Hollow, ambos estão relacionados aos quatro cavaleiros do apocalipse. As mortes e os estranhos acontecimentos na cidade, acabam por cruzar os caminhos de Crane e Mills, que vão unir forças para detê-los.

A mitologia de Sleepy Hollow é massa. Ele catam lendas urbanas,  História Americana, eventos bíblicos e jogam tudo num bolo só. É demais e funciona, pode crer! Supernatural tá na milésima temporada e eu larguei no auge da primeira, não sentia firmeza. Se tu não começou, acho que nem vale tentar :P

3. Série farofa pra exercitar a suspensão de descrença

Se você não se importar e quiser ~apenas diversão~ existem umas coisas surreais no enredo, mas não atrapalham muito o andamento. É só esquecer um pouco sua crença na lógica das coisas e embarcar nas ideias malucas e às vezes nonsense dos roteiristas. Tudo pode nesse mundo, o que poderia ser ruim pra explicar qualquer bobagem, mas até agora tão usando o recurso sem fazer muitos arrodeios.

4. Ichabod e Abbie

Se você já assistiu ao filme de mesmo nome com o Johnny Depp, esqueça. Poucas coisas se assemelham ao longa, exceto alguns nomes, como o do Icha. A personalidade dos dois é parecida, são atrapalhados e cômicos, mas o inglês é mais ~galante e gato. É impagável ver ele se adaptando aos costumes do mundo de hoje, chamando a Tenente de Leftenant…hahahah, só vendo. E Abbie é uma policial fodona e desenrolada, sem ela o Crane não aguentaria o tranco. É uma personagem feminina maravilhosa e forte. Eles têm uma química enorme como parceiros de aventuras :)

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5. John Noble

Esse senhor maravilhoso aparece na série, não vou dizer o motivo, mas é <3. Adoro desde Fringe e não tem como não admirar. O personagem é sensacional, assim como ele. Menção honrosa para outros personagens secundários legais: Jenny (Lyndie Greenwood), Coronel Irving (Orlando Jones) e Hawley (Matt Barr, pois boy magia).

Seu John

Seu John

É isso! Vai fundo se faz teu tipo, motivos não faltam  :)

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Pra assistir: How to Get Away With Murder

29 . 10 . 2014

Devo começar dizendo que:
– essa série é maravilhosa
– tem um dedo da senhora Shonda Rimes,

o que pode não ser uma coisa boa. Sei bem o tanto de loucura que ela fez  em 11 anos de Grey’s Anatomy. Não conheço Scandal, mas sei o estrago que essa série tem causado no coração de alguns. A diferença em HTGAWM (pega essa sigla) é que Shondinha é ~apenas produtora — a série é de um pupilo dela, Peter Nowalk. Comecei a ver porque espero que ele tenha aprendido só o que Rimes ensinou de bom. Até agora, com cinco episódios assistidos, não me arrependi e está um escândalo de boa (não resisti).

Com esse título, não é spoiler dizer que logo no início do piloto a gente descobre que houve um assassinato cheio de mistério. Além dessa informação, somos apresentados a uma turma de Direito que está tendo aulas com a maravilhosa, suprema, poderosa Annalise Keating, interpretada por Viola Davis. A advogada de defesa é aquela personagem não-politicamente correta e chuta-bundas que é diva. Me lembra a saudosa Patty Hewes de Glenn Close, também advogada, em Damages.

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“é o que, rpz?”

Falando em Damages, as duas séries são parecidas com relação aos flashbacks/flashfowards. Eu acho um recurso meio chato quando usado demais (e aqui usam), mas é o que vai contextualizando a gente com o crime. Aos poucos, as coisas vão se encaixando e isso te prende. Também existem os casos semanais, que são resolvidos por Anne e equipe, onde os estagiários trabalham tanto que nem sei como estudam pra outras disciplinas. Ou como comem. Ou como dormem.

O elenco é maravilhoso e cada personagem é bem peculiar, com características bem definidas. Duvido você descobrir quem é o moço gay logo de cara, porque de caricato ele não tem nada. Ninguém tem. Nem mesmo a protagonista, que é fodona, tem seus momentos (um deles lindo, no final do episódio 4) de pessoa normal, normalíssima.

É isso. Se tu gosta de uma série com mulher empoderada, pegação, mistério, diálogos rápidos e inteligentes, Murder pode ser a sua nova queridinha ♥

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