Tudo sobre vida

a música mais importante da minha vida

23 . 12 . 2017

Eu sempre achei muito difícil nomear uma música, álbum, cantor/a ou banda favorita. E, com o passar dos anos e fases da vida, essas preferências foram mudando muito. Tanto que, hoje, eu não saberia selecionar com clareza essas coisas pra agora, que dirá pra sempre.

Mas, certamente, se me perguntarem qual a música mais significativa da minha vida, qual a que sempre me faz chorar, qual a que me lembra algo importante, intangível, eu nem penso duas vezes:

Fix You é a minha música de cura da perda de 19 de junho de 2008: meu pai. E lembro do tanto que me tocou, em 2010, ter feito minha primeira viagem sozinha, pra SP, pra turnê Viva La Vida, hospedada na casa de um tio de painho. Foi um turbilhão de emoções, com direito a esquecer ingresso no Recife e recuperar no dia do show. E haja choro no Morumbi.

Não consigo e nem quero segurar ele, inclusive, sempre que a escuto. Hoje, véspera de véspera de Natal, me deu uma vontade imensa de ouvir ela de novo, em looping. E bateu uma curiosidade sobre a história da letra, já que nunca fui atrás disso porque acho que a minha interpretação sempre me bastou.

Aí eu descubro que Chris escreveu a música pra Gwyneth, agora sua ex-esposa, logo depois que o pai dela faleceu por causa de um câncer. Ela contou isso em uma entrevista em 2015.

Gwyneth Paltrow conheceu Chris Martin somente três semanas depois da morte do pai.

“‘Fix You’ was about him trying to put me back together after my dad died.”

Olha, eu nem sei o que dizer. É possível amar alguém que a gente não conhece?

Chris, eu te amo por isso.

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when you awake inside

02 . 12 . 2017

lança o barco contra o mar
venha o vento que houver
e se virar, nada

pega a mala que couber
vira a estrada sem saber
e se perder, calma

eu não sei nem por onde começar.

penso que posso dividir 2017 por sentimentos ou conclusões adquiridas sobre tudo pelo que passei. agora, ouvindo essa música do rubel, eu me vejo analisando esse turbilhão todo como um grande oceano, aquele mar que sempre aparece nos meus sonhos, que sempre me amedronta e me encanta.

para 2017, meu único desejo era que ele fosse leve. foi a última coisa que ele foi. pesado, intenso, cheio.

em 2017, eu naveguei por mares que me ensinaram que não se navega sem dor.

mas fui feliz aqui. fui feliz, mas nunca é o suficiente. porque sempre que você parar pra pensar, você vai querer um tantinho mais de felicidade. você vai querer mais tempo na cama sem fazer nada, vai querer repetir uma viagem, vai querer conhecer um lugar novo. isso é incrível e é possível sempre, é saudável. mas e quando seus quereres estão entrelaçados com outras pessoas? como você faz quando o seu querer permanece e o do outro muda?

esse ano me ensinou a ressignificar. se 2016 foi um ano difícil, cheio de obstáculos e dias malucos inconstantes, dúvidas, medos, 2017 foi o ano da perda. o ano de se perder e se encontrar dentro do não-querer. de fazer escolhas a partir de cenários não escolhidos. de se adaptar.

dói um pouquinho todo dia. histórias que foram e não são mais, expectativas (sempre elas) frustadas, saudade.

mas aí você acorda por dentro. e percebe que, de alguma forma, deixando os pedaços pelo meio do caminho, você continua navegando.

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da minha rede

12 . 07 . 2017

eu sigo, faz tempo, tentando achar um pouquinho de disposição pra escrever. aliás, melhor explicar: eu “vivo” de escrever. eu trabalho mais de 8 horas por dia – precisamos considerar os freelas nessa conta, além do trabalho regular dentro da falecida CLT – escrevendo. mas é um lance agridoce. escrever para os outros, pelos outros, por coisas, é muito complicado. mais complicado ainda é chegar em casa e ter tesão no escrever sobre o que você quer escrever. sem pretensão, sem aprovação, sem revisão. ou sobre a vida, ou sobre as coisas da vida, ou simplesmente sobre coisas.

aí que hoje, deitada na minha rede, na minha varanda, olhando pra uma lua cheia, esse trio tão significativo pra mim, eu resolvi voltar pra cá. ou, ao menos, tentar. assunto é o que não falta e, sinceramente? de quê adianta viver de alguma coisa sem sequer fazer disso parte de verdade da sua vida?

esse blog, que já me curou de tantas mazelas tantas vezes, pode me ajudar a voltar a gostar de escrever por existir. vamos ver se o showrunner bota fé nessa temporada. S08E03.

uma foto bem fuleira pra registrar o momento

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Sobre querer mandar em tudo. E em todos

10 . 03 . 2017

Eu odeio não estar no controle.

Já percebi isso tem tempo. Gosto de mandar, gosto de resolver, porque assim eu acabo tendo tudo nas mãos. E, mesmo que eu prefira muitas vezes que as responsabilidades e as “tomadas de rédeas” não partam da minha pessoa, gosto de ter a ilusão de que, direta ou indiretamente, eu sou sim responsável pelo que tá acontecendo ou vai acontecer. Que sou agente, que não sou inerte. Eu gosto de me sentir a parte ativa até mesmo quando sou passiva. E isso se estende pra muita coisa. E tudo bem até aqui.

Quando uma pessoa altamente controladora não tem domínio sobre as coisas, o mundo cai. É como se você ficasse perdido num labirinto, uma barata tonta no jogo da vida. E esse caos de não saber o que fazer, não poder fazer do jeito que ~é para ser~, me deixa louca.

Existem coisas, pessoas, situações que só acontecem para confundir a cabeça. Para você ver que é só um pedacinho de nada na sua história, que o meio externo e seus personagens tem muito mais poder de influência na sua vida do que você imagina. Não dá pra decidir tudo, não dá pra escolher como os outros vão ser ou reagir, não dá pra jogar como se tudo fosse peça de um quebra-cabeça. Você nunca consegue encaixar tudo como você quer. As pessoas não vão seguir o seu planejamento, elas vão mudar de ideia, mudar tudo de novo. E nunca é fácil. Eu tenho a leve impressão de que as coisas que vem de dentro, dos outros, são as mais difíceis e que pra todo o resto na vida há jeito. Aí, meus amigos, não tem muito o que fazer.

Senta, chora e espera passar.

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